Coração sertanejo: Capítulo 3 – O Rosto da maldade

Coração sertanejo: Capítulo 3 – O Rosto da maldade

CENA I
(NOITE_ todos dorme no acampamento. Pedro volta com os capangas e com tochas de fogo incendeiam o barraco de Ângelo).
Pedro: Simbora pessoal, o serviço está feito, agora é deixar o fogo seguir sua natureza e transformar esses ladrõezinhos de terra em churrasquinho. (eles saem galopando e dando risadas)
(Ângelo e Míriam levantam assustados e saem do barraco para ver o que está acontecendo e veem que está pegando fogo)
MIRIAN: Ângelo! Os jagunços colocaram fogo no barraco. Vamos embora daqui senão vamos morrer queimados.
ÂNGELO: Já te disse mulher que desse pedaço de chão eu não saio, vá pegue as crianças e leve para longe daqui vou tentar apagar o fogo. (ela vai chama as crianças)
GABRIEL: O que ta acontecendo mãe? Nossa casa ta pegando fogo.
MÍRIAM: Foram os homens do Antônio Dias, aqueles covardes, mas se acalme vai ficar tudo bem.
(Tira-os da casa e leva-os pra longe de onde ficam observando o desespero de Ângelo que tenta inutilmente apagar o fogo com alguns baldes de água, mais ele acaba engolindo muita fumaça e passando mal. Cai no chão_ Miriam deixa as crianças e corre ao encontro dele).
MIRIAN: Não! Meu amor, fale comigo. Vamos embora daqui. (tenta levantá-lo e arrastá-lo dali nesse instante uma viga de madeira incendiada cai sobre os dois matando-os)
GABRIEL: Não!!!!!
(Gabriel e Marcela saem correndo para socorrer os pais, aparece uma mulher misteriosa vestida de preto que as segura, protegendo-as e levando-as para longe dali.).
(A cena vai se afastando do foco como se vista do alto).

CENA II
MÚSICA: Água (Djavan)
(MANHÃ_ correntezas do Riacho Alegre, onde uma jovem negra está lavando roupas e cantarolando, ela termina seu serviço e vai saindo do riacho quando encontra a mulher misteriosa que, sendo filmada apenas pelas costas, empurra as crianças em direção á Inaiê e sai).
INAIÊ: (para as crianças) Oi. Não precisam ter medo, ela já havia me dito que iria trazer vocês pra cá, para que eu cuidasse de vocês.
MARCELA: Eu quero meu pai e minha mãe (Inaiê senta as crianças no colo, uma de cada lado, e aponta para um pássaro no céu)
INAIÊ: Estão vendo aquele pássaro ali? Ele esta voando para longe lá no céu, lá é onde o papai e a mamãe de vocês estão agora, bem pertinho de Deus, e é de lá que eles vão continuar a cuidar de vocês e eu vou cuidar de vocês aqui na Terra, eu sei que vocês tão triste, mas vai passar, o tempo apaga tudo, ou quase tudo.
(Pega cada um por uma mão e vão se afastando, conforme vão se afastando os personagens vão se transformando_ Inaiê já está mais velha, Gabriel já é um homem de 20 anos e Marcela uma jovem de 16 anos_ aparece escrito_ 2009).

CENA III
Ainda a cena da transição dos personagens _
(Ao som da música Água de Djavan, aparece Marcela com 16 anos ajudando Inaiê a lavar roupas quando passa por elas um cavaleiro _ Luciano em sua fase adulta ele, montando em seu cavalo, ele para por um instante e os dois ficam se olham, é a primeira troca de olhar de um casal apaixonado, ela pergunta para Inaiê).
MARCELA: Inaiê, quem é esse homem bonito? Você o conhece?
INAIÊ: Sim Marcela, mais é melhor você não o conhecer?
MARCELA: Mas por quê?
INAIÊ: Esse cavaleiro minha filha, fez parte do teu passado e está no teu destino, mas o que você puder fugir desse destino você deve fugir, ele é um homem marcado, um homem proibido e todas as mulheres que se aproximarem dele está marcada para sofrer.
MARCELA: Como a senhora pode saber disso?
INAIÊ: Um passarinho me contou.
(Inaiê continua a cena delas lavando a roupa ao som da musica Água)
PRIMEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA IV
(Uma cena rural panorâmica noturna e depois uma diurna corta-se a cena e se abre para uma panorâmica da fazenda de Antônio Dias que está ainda mais bonita, elegante e moderna sem deixar seu lado rustico, passando para a sala de jantar onde eles estão tomando café da manhã_ Yasmim entra, ela está grávida de seu quinto filho).
YASMIM: Bom dia família.
LUCIANO: Bom dia meu amor (eles se beijam rapidamente ela se assenta com eles á mesa)
YASMIM: É! Hoje o dia está realmente lindo e eu acordei com uma vontade muito grande de andar á cavalo. (todos se entreolham)
LUCIANO: Não sei não Yasmim, no seu estado é melhor você não ir.
LUANA: O que é isso cunhado? Deixe-a ir, gravidez não é doença, ao contrario ela nunca pareceu estar tão bem.
YASMIM: (sarcástica) Muito obrigado, queridinha. É o amor.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Também acho que ela pode ir, essa menina tem saúde de ferro e é uma parideira de mão cheia.
YASMIM: (para Luciano) Ah vai amor, só um pouco.
LUCIANO: Tudo bem, mas só um pouco mesmo, e vou pedir para o Agenor arriar o cavalo mais manso da fazenda. Cidinha chame-me o Agenor.
LUANA: Pode deixar Luciano, eu já estou de saída passo por lá e peço pra ele.
LUCIANO: Muito obrigada cunhada. (Luana sai) (Luciano falando aos filhos) É macacaiada daqui alguns dias acaba a mamada, férias acabando, cada um vai voltar pra sua escola, Rodrigo vai voltar pra Ilha Solteira, para terminar a faculdade de agronomia, Eduardo vai começar a faculdade de direito em Araçatuba, dona Cecilia e senhorita Clara vão voltar ao colégio, então aproveitem, porque depois quero todo mundo pegando firme nos estudos hein.
TODOS OS FILHOS: (fazendo continência) Sim senhor comandante.
RODRIGO: Galera eu tô indo dar um rolê na cachoeira. Quem vai comigo?
TODOS OS FILHOS: Eu (vão se levantando)
RODRIGO: Então simbora galera.
TODOS: Bênção pai, bênção mãe.
LUCIANO: Vão com Deus. Juízo.
YASMIM: Filhos esperem. (vai até eles, abraça, passa a mão no rosto e beija a testa de um por um) Eu os amo muito, vocês são as coisas mais importantes da minha vida. Rodrigo, você é o irmão mais velho, cuide sempre muito bem dos seus irmãos, e do seu pai também.
RODRIGO: Pode deixar mãe. (eles saem)
LUCIANO: Estou preocupado com essa sua volta á cavalo amor.
YASMIM: Fica em paz amor, tudo tem sua hora e o seu porque, fique em paz, de uma forma ou de outra eu sempre estarei do seu lado.
(se beijam ao som de eu nasci para amar você de Zezé di Camargo e Luciano_ corta-se a cena)

CENA V
(FINAL DA MANHÃ_ abre para a casa de Inaiê_ nela Marcela está debruçada na janela e se lembra do homem que tinha visto no rio e o que Inaiê havia lhe dito sobre ele e seu destino)
MARCELA: Quem será aquele homem? Por que será que ele não sai mais da minha cabeça? Será que ele está mesmo no meu destino como a Inaiê me disse? E por que será que eu não posso me envolver com ele? (entra Gabriel vindo da roça)
GABRIEL: Marcela, Marcela.
MARCELA: Oi que foi?
GABRIEL: O que foi eu que pergunto? Ta aí parada com os olhos vidrados, não vai me dizer que se apaixonou por algum peão?
MARCELA: Que peão o que? Deixa-me em paz!
GABRIEL: Você já fez o almoço? Tenho que voltar pra lida.
MARCELA: Almoço? Meu Deus! Esqueci a panela de arroz no fogo (correm e veem que o arroz está queimado)
GABRIEL: Menina você deixou o arroz queimar! E agora o que eu vou comer?
MARCELA: Calma Gabriel, eu vou fazer um tutu de feijão aqui rapidinho pra você.
GABRIEL (pegando em suas duas mãos) Vem aqui maninha. (senta-se com ela) Você sabe, que depois que nossos pais morreram, somos eu por você e você por mim não sabe?
MARCELA: Sei sim mas porque está me dizendo isso?
GABRIEL: Porque quero saber o que está acontecendo com minha irmãzinha, você está diferente, distante, Me diga aconteceu alguma coisa? (entra Inaiê)
INAIÊ: Ela está assim depois que viu um homem passar a cavalo pelo rio.
GABRIEL: Que homem é esse?
MARCELA: Homem nenhum não Gabriel, esquece isso.
INAIÊ: É verdade, é melhor mesmo você esquecer isso.
GABRIEL: Pois agora que eu quero saber, me digam? Quem é esse homem?
INAIÊ: Filho do Antônio Dias: o Luciano.
GABRIEL: Desgraçado, o que ele quer andando por essas bandas?
MARCELA: Sei lá, mas o que tem ele demais?
GABRIEL: Ele, minha maninha querida, é simplesmente, o filho do homem que matou nossos pais.
MARCELA: É verdade Inaiê?
INAIÊ: É sim filha.
GABRIEL: (avançando pra cima de Marcela e agarrando seus braços) E você mocinha fique bem longe dele, muito longe ou eu não me responsabilizo por mim. Entendeu?
MARCELA: Tá bem. Calma
INAIÊ: É calma Gabriel, ele só passou por aqui e com certeza não vai voltar tão cedo e vocês dois precisam cuidar da vida de vocês e esquecer aquela família.

CENA VI
(Corta a cena se abre para o escritório da fazenda do Antônio Dias)
LUCIANO: Pai, ontem eu estive lá pros lado do Riacho Alegre, aquele lugar é muito bonito, estou pensando em comprar umas terras por lá.
ANTÔNIO: Ih filho eu não acho uma boa ideia não.
LUCIANO: Mas por quê?
ANTÔNIO: Fiquei sabendo que o governo do Estado está com planos de construir uma barragem de energia elétrica por lá, e se isso acontecer você já sabe né? Vai alagar toda a região.
LUCIANO: Mas será que é verdade?
ANTÔNIO: Acho que sim, a região está necessitada e a cachoeira que tem por lá, possibilita essa construção, mas é coisa de politica né, ai você já viu? Só Deus sabe quando vai sair do papel.
FABIANO: Mas e todos os animais, as plantas daquela região? Vai tudo se perder.
ANTÔNIO: E você acha mesmo que, quando o assunto é dinheiro, alguém se preocupa com animal? Com planta?
LUCIANO: Deveriam se preocupar pelo menos com as pessoas que moram ali. (Cidinha abre a porta com força)
ANTÔNIO: O que é isso Cidinha? Que falta de respeito é essa? Não sabe bater na porta antes de entrar não?
CIDINHA: É que aconteceu uma coisa muito seria.
FABIANO: O que foi Cidinha?
CIDINHA: Luciano, pelo amor de Deus corre lá no riacho da fazenda, aconteceu uma desgraceira.
LUCIANO: O que foi Cidinha, fale logo de uma vez?
CIDINHA: Vieram avisar que encontraram a dona Yasmim caída por lá, ela deve ter caído do cavalo.
LUCIANO: Meu deus eu pedi pra ela não ir. (pega o seu chapéu e sai correndo)
ANTÔNIO: Vou ligar para o médico dela (pega o telefone)
FABIANO: Que Deus proteja minha cunhada.
SEGUNDO INTERVALO COMERCIAL

CENA VI
MÚSICA DE SUSPENSE
(TARDE_ lugar do riacho onde Yasmim está caída, com alguns peões em volta_ Luciano e Cidinha entram correndo).
LUCIANO: Yasmim, meu amor, Yasmim, fala comigo meu amor. O que aconteceu?
YASMIM: Não sei amor, o arreio arrebentou. Ajuda-me meu amor, estou perdendo muito sangue, não quero perder nosso filho.
LUCIANO: Se acalme, vai ficar tudo bem. (pega ela no colo e sai)

CENA VII
(Abre a cena para a cachoeira onde os jovens estão se divertindo Fabiano aparece)
EDUARDO: Tio, o senhor veio tomar um banho com a gente?
CECÍLIA: Vem tio a água está uma delicia.
FABIANO: Crianças, vocês tem que ir embora agora.
RODRIGO: Por que tio? Tá tão gostoso.
FABIANO: Venham comigo, no caminho eu explico tudo certinho. (eles saem da água)

CENA VIII
(TARDE_ recepção do hospital entram os enfermeiros com Yasmim desacordada e depois Luciano, Antônio, Maria da Purificação).
LUCIANO: Doutor, por favor, salve a minha esposa.
YASMIM: (dentro do corredor, já sem a família ela diz)Doutor, se o senhor não conseguir me salvar, salve pelo menos meu filho, por favor, dê a ela a chance de viver.
MÉDICO: Fique calma, vaio dar tudo certo. (os enfermeiros conduzem Yasmim para dentro)
LUCIANO: Algo me dizia que eu não devia ter a deixado andar á cavalo, a culpa é minha, toda minha.
LUANA: Não adianta você ficar assim se culpando, tenha fé, tudo vai dar certo.
MARIA DA PURIFICAÇÃO: Tem razão, o melhor a se fazer nessas horas é rezar. Vou a capela acender uma vela pra Nossa Senhora do desterro e rezar um terço (sai).
ANTÔNIO: O que mais me preocupa é que ela está gravida, no sétimo mês de gestação. Tenho medo de ela perder meu neto. (Mercedes entra)
MERCEDES: Meu filho. (se abraçam) Eu vim correndo assim que fiquei sabendo, como ela está?
LUCIANO: Está lá dentro mãe, tô com muito medo de perder minha mulher (chora).
TERCEIRO INTERVALO COMERCIAL

CENA IX
(Corta uma cena para a fazenda Luana procura um peão)
LUANA: Parabéns. Pelo visto você fez certinho tudo o que te pedi.
PEÃO: Exatamente como a senhora mandou, escolhi o cavalo mais xucro da fazenda e ainda deixei o bicho mal arriado, não deu outra, na primeira volta o garanhão deu um pinote e a mocinha desabou no chão.
LUANA: Tome (lhe da uma boa quantia em dinheiro) isso é um presente para você pelo seu bom trabalho, mas claro não preciso nem dizer que ninguém pode ficar sabendo o que fizemos não é?
PEÃO: Claro que não, jamais, minha boca é um tumulo (Sai contando o dinheiro, porém Cidinha desde o inicio ouvia toda a conversa).
CIDINHA: Mas a minha não. (Luana se vira e dá de cara com ela) Eu vou contar pra todo mundo que a culpa do que aconteceu com a Yasmim é sua. Assassina.
LUANA: Então vai, corre conta, é sua palavra contra a minha, em quem você acha que eles vão acreditar em mim, a nora de um dos homens mais poderosos desse país, o teu patrão, ou em você uma reles empregada? Vai corre contar que o máximo que você vai conseguir é perder seu emprego.

CENA X
(A cena abre-se para o hospital onde estão Luciano, Antônio, Maria da Purificação e Mercedes_ entra o médico).
ANTÔNIO DIAS: E então doutor como está o meu neto?
DOUTOR: O senhor quer dizer neta não é? Pois bem o parto foi complicado, tivemos que fazer cesariana, mas ela nasceu bem, apesar de ser prematura. Vai precisar ficar algum tempo na incubadora mas vai dar tudo certo e é uma linda menina (todos se alegram)
ANTONIO: (para Luciano) Não te falei filho que ia ficar tudo bem.
LUCIANO: E minha esposa doutor, como ela está? Estou louco pra vê-la
DOUTOR: Sinto muito mas ela não resistiu ao parto e morreu. (foco nos olhos de Luciano que chora em silencio)
LUCIANO: O senhor ta brincando comigo não é? Diz pra mim! Minha esposa não morreu, ela esta viva, não pode ter me deixado não pode. (todos tentam confortá-lo) eu confie a vida da minha mulher em suas mãos doutor, te disse para o senhor salva-la. Por que o senhor a deixou morrer? Por quê?
MERCEDES: Calma filho, não fique assim.
DOUTOR: Sinto muito, fizemos tudo o que estava ao nosso alcance mais não foi possível.
LUCIANO: Eu quero vê-la, eu quero ver minha mulher agora.
DOUTOR: Acalme-se e venha comigo.

CENA XI
(o médico o conduz até o quarto onde está Yasmim_ toca-se “Eu nasci para amar você”, ele retira o chapéu, se aproxima, ajoelha aos pés da cama).
LUCIANO: Yasmim, meu amor, amor da minha vida, fala comigo, volta pra mim, não me deixa aqui sozinho não, por favor, não me abandona eu preciso de você do meu lado, sem você eu não sou nada, sem você eu não sei viver, me falta o chão, o ar. Volta pra mim, volta pros nossos filhos. (chora_ nesse instante Rodrigo, Eduardo e Cecilia chorando, levantam Luciano do chão se abraçam)

(a cena congela e uma grande cachoeira surge, alagando toda a cena ao som da música água de Djavan).
FINAL DO TERCEIRO CAPÍTULO

  • Isa Miranda

    Então, Luana cobra … ¬¬

    • Cleber Medeiros

      muito cobra. Cobra é pouco