Contos da tarde: Dói, mas passa

Contos da tarde: Dói, mas passa

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Autora: Rafaela Paulino
Créditos: EOH Contos e Crônicas

Eu sei, está doendo. Foi difícil dormir nos primeiros dias. Depois complicou um pouco mais quando acordava com a sensação de que algo estava sendo arrancado de dentro do peito. Não havia hora exata para as lágrimas, todo momento era momento.

Como se não bastasse, todos ainda te bombardeiam com um “dói, mas passa”.

Foram tantas as vezes que escutei essa frase, que nutri um sentimento ambíguo sobre ela. Hoje, sei quantas verdades estão presentes nessas três palavrinhas. Mas por muito tempo revirei os olhos para qualquer um que tentasse me vender a ideia de que as coisas voltariam para o seu prumo. Eu já tinha essa certeza. Como eu poderia continuar desse jeito para o resto da minha vida? Sim, iria passar. Mas quando?

Eu não queria esquecer como me mandavam fazer. O sentimento ainda estava ali para aceitar qualquer possibilidade de fazê-lo morrer para sempre. Pediram que eu engolisse o meu choro. Apresentaram aquele cara estranho como se ele pudesse apagar tudo que estava ainda tão vivo em mim. “Mas você ainda está nessa?”, perguntaram. Cabisbaixa e culpada por ainda sentir, decidi trancar em mim todas as emoções. Eu ainda estava nessa.

Mas hoje estou aqui para te dizer tudo o que não me disseram.

Não menospreze o seu luto. Aqueles momentos foram importantes o suficiente para fazer falta quando deixaram de ser. O “dói, mas passa” parece uma realidade bem distante, eu sei, mas é realmente assim que acontece.

Vai doer e parecer que nunca vai acabar. Você vai mandar aquela mensagem recheada de expectativas, para logo em seguida se arrepender. Vai chorar escondida no banheiro. Vai querer apenas ficar trancada um dia inteiro.Vai acordar com o coração acelerado e a respiração falhada. Vai olhar outros casais e tentar entender como você não conseguiu fazer dar certo.

Mas quem é que sabe o que é realmente certo nesse mundão?

É normal, eu juro que tudo isso é normal. Você só vai precisar respeitar as etapas da vida. Não caia na besteira de uma busca desesperada pelo esquecimento. Apenas dê os passos que você acreditar conseguir dar.

E enquanto não passa, encontre uma forma de colocar todas as emoções que estão em você para fora. Chore, escute música, saia, durma ou escreva. Não sei você, mas hoje já consigo olhar para o passado com a certeza de que a dor realmente passou.

E o melhor? Eu nem percebi quando aconteceu.

Wellyngton Vianna

Recifense, 23 anos, CEO fundador do CYBER SÉRIES.

“Escrever liberta, podemos criar, recriar e inovar. Podemos tornar públicas as nossas idéias”.