Contos da manhã: Tá, qualquer coisa te aviso!

Contos da manhã: Tá, qualquer coisa te aviso!

TÁ, QUALQUER COISA TE AVISO!

Autor: Márcio Rodrigues

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E ela não me avisou.
Eu esperei, mas ela não avisou.
De novo esperei por um aviso que não chegou. Esperei porque a gente sempre acha que na próxima vai dar certo, né?
Ah se ela soubesse o quanto fiquei ansioso por esse aviso. Justamente esse aviso que não chegou.

Quando a gente planta uma expectativa na vida de alguém, a gente deve prever que uma hora a colheita será feita.

Mesmo assim, seguimos plantando. Eu tinha bastante expectativa pelo aviso dela. Poxa, ela disse que avisaria. Não ficou claro com o “qualquer coisa”, mas ficou subentendido que estava mais perto de acontecer do que de não acontecer. Ou será que era só eu querendo isso? Pode ser. O “qualquer coisa” demonstra a indecisão. Problema meu acumular expectativa. Escrevendo assim parece fácil, né? Não é não. Qualquer um no meu lugar ficaria ela.

Ela nem faz ideia do quanto eu esperei por esse aviso, do quanto li esse “qualquer coisa” como se fosse “até o fim da semana”. E o fim da semana chegou mas o aviso não. Eu já deveria ter aprendido, mas a gente teima.

É que eu pensei que, talvez, o famigerado aviso chegaria em forma de “quer fazer algo hoje?” – que na verdade nem é um aviso, mas sim uma pergunta. Seria mais seguro, portanto, esperar por uma pergunta? Algo tipo: “tá, qualquer coisa te pergunto”. Não faz sentido. Se ela indicou que avisaria, significa que falaria comigo, independente do modo.

Bem, são dois fatos: eu esperei o aviso; o aviso não chegou. Talvez ela tenha avisado outra pessoa, né? Isso pode ter acontecido. A vida tem dessas.

Ela não me avisou. Pelo menos não o que eu esperava ser avisado. Me avisou, porém, sem precisar avisar nada, sem usar uma palavra sequer. Contudo, se eu mudar o modo de ver, posso entender que esse aviso eu nem merecia receber, isto é, foi até bom ela não avisar, porque desse modo a gente já se despediu sem ter se encontrado. Que pena. Ou não. Tá, não precisa fazer sentido.

Wellyngton Vianna

Recifense, 23 anos, CEO fundador do CYBER SÉRIES.

“Escrever liberta, podemos criar, recriar e inovar. Podemos tornar públicas as nossas idéias”.

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