Contos da manhã: Pedra no meio do caminho

Contos da manhã: Pedra no meio do caminho

Pedra no meio do caminho

Autor: Fábio Zelenski

Blog Contos e Crônicas para um dia bom 

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Sabe aquela “cara-de-sol”? Um sorriso forçado, os olhos puxados, tudo por conta do ângulo dos raios solares na vista de quem caminha pela rua? Então, o rapaz, de sport chic, como dizem, cabelo meio penteado meio bagunçado, andava desse jeito pela calçada.

Com os pensamentos que ultrapassavam a lua, começou a chutar pedrinhas. Até que uma, com formato perfeito e cor diferenciada, chamou a sua atenção. Assim, o desafio estava lançado: irar chutar aquela pedrinha até chegar em casa, não importava quantos contratempos encontraria. Praticamente uma Odisseia.

Começou a saga. Chutando, chutando e tendo dificuldades em atravessar ruas. Chegava perto da calçada e dava uma bica na tentativa da pedrinha pegar alguma altura. Até então, estava dando certo.

No meio do caminho. Exatamente no meio do caminho algo acontece. Num chute um pouco mais forte, a pedrinha bate em um trinco da calçada e sobe no ângulo de 90º, em direção ao céu. Subiu de maneira perfeita, na velocidade certa, na altura certa, para ele dar o chute mais forte que já deu em toda a sua vida, mandando aquela pedrinha pro espaço, transformando-a em um meteoro, tempos mais tarde.

Os olhos, que nem ligavam mais para o sol, brilharam. A pedrinha pegaria no peito do pé, o timing permitiria que tomasse impulso e que ainda ajustasse a posição do corpo para usar a canhota, que era a perna mais forte e menos desengonçada. Era aquele o momento. Podia pegar em alguém, mas tudo bem, esse alguém entenderia. Não se pode perder uma chance dessa.

E ele errou.

Não fosse o bastante, errou e deixou a pedrinha cair barranco abaixo, no lado esquerdo mal acabado da calçada. Viu-a quicar, quicar e quicar até encontrar um matagal medonho que ali tinha. Olhou para os lados para ver se poderia compartilhar de seu desespero com mais alguém. A rua estava cheia, mas todos pouco ligavam para o que (não) viram.

Sentiu uma solidão e uma angústia incríveis. Não restava muita coisa a não ser continuar o seu caminho e mudar o desafio para algo mais simples, como não pisar em riscas da calçada.

Wellyngton Vianna

Recifense, 23 anos, CEO fundador do CYBER SÉRIES.

“Escrever liberta, podemos criar, recriar e inovar. Podemos tornar públicas as nossas idéias”.