Contos da manhã: Angústia, silêncio e solidão

Contos da manhã: Angústia, silêncio e solidão

ANGÚSTIA, SILÊNCIO E SOLIDÃO

Autora Naclára M. ( Quarto mudo – www.quartomudo.blogspot.com.br)

 

Já marcavam 5:30 quando me dei conta de que estava sozinha; dei mais uma olhada para ter certeza e me deparei com o desespero da solidão. Respirei fundo e pronunciei bem baixinho o nome de meu marido, e naquele quarto escuro obtibe a pior das respostas: o silêncio. Vasculhei minha memória para tentar resgatar alguma lembrança de seus planos para aquela noite, mas para o meu desalento naão conseguia me lembrar de nada.
Me levantei para checar as crianças mas algo prendeu minha atenção: quando olhei para cama onde antes descansava – por mais que a escuridão tentasse me impedir – constatei que era uma cama de solteiro. Aquilo despertou em mim uma tristeza profunda e medo, muito medo. Dúvidas rondavam minha mente como: Por quê não conseguia me lembrar de nada? Será que ele favia me deixado?
Meu coração foi se apertando e lágrimas insistiram em cair, com minhas mãos trêmulas fui olhar pela janela e dei de cara com uma vista diferente da que costumava ter da janela de meu quarto, o que provava o maior dos meus medos: eu não estava em casa.
A chuva caía forte e impetuosa com raios e ventos que me davam arrepios! Sempre tive medo de chuva mas Pedro sempre me abraçava me dando segurança. Simplismente, me rendi, sentei no chão e por alguns minutos chorei, chorei como não chorava à muito tempo – não que eu me lembre do que aconteceu a muito tempo – e enquanto chorava, fui me acalmando mas aquele frio não passava, tentei com todas as forças me lembrar onde estava ou o que estava fazendo dormindo fora de casa mas novamente, nada me vinha em mente. Olhei novamente no relógio que já marcava 6:00. Resolvi me arrumar para quando Pedro viesse me buscar no nosso fusquinha e me levar daquele lugar pavoroso.
Quando acendi a luz, a claridade foi tão forte que machucou meus olhos, estava em um quarto todo branco, frio e quase vazio, ali se encontravam apenas uma cama, acima dela um crucifixo e uma cômoda. Encontrei uma toalha e uma mala cheia de roupas e novamente uma série de dúvidas tomaram conta de minha já confusa cabeça. Peguei a toalha e entrei no banheiro para tomar banho, olhei no espelho e me assustei com a imagem: meus lindos cabelos loiros haviam sido trocados por fios grisalhos e minha pele lisa por uma enrugada. O pânico se apoderou de mim e tudo que pude fazer foi gritar e chorar, meu coração disparava enquanto o quarto se encheu de pessoas vestidas de branco que gritavam:
– Aconteceu de novo, aconteceu de novo!
Foi então que senti uma picada. Tudo se calou, senti minhas pálpebras pesando e voltei ao passado em doces sonhos e paz.

Wellyngton Vianna

Recifense, 23 anos, CEO fundador do CYBER SÉRIES.

“Escrever liberta, podemos criar, recriar e inovar. Podemos tornar públicas as nossas idéias”.

  • Cleber Medeiros

    que conto mais lindo! Parabéns

  • Nossa que agonia! Senti toda a angustia dela! parabéns! Vc escreve muito bem!

Close