Bom dia Vida: Conto especial “A primeira dança”

Bom dia Vida: Conto especial “A primeira dança”

 

Bom dia leitores!

Hoje o programa traz algo especial: Conto.

Conto é uma narrativa curta e que se diferencia dos romances não apenas pelo tamanho, mas também pela sua estrutura: há poucas personagens, nunca analisadas profundamente; há acontecimentos breves, sem grandes complicações de enredo; e há apenas um clímax, no qual a tensão da história atinge seu auge.

Eu particularmente, adoro contos e ” A primeira dança” é delicado e traz uma certa emoção ao ler, a delicadeza como fora contado, provoca sensações que só a leitura consegue definir.Vamos acompanhar?

 

A PRIMEIRA DANÇA

Escrito por: Susana Silva

       A minha história com a minha mulher é feita de altos e baixos. Nem sei qual dos bons momentos vos vou contar, mas aqui vai.

Os clientes já tinham saído do bar, a porta estava prestes a fechar. Quando, de repente ouvi o som de uma voz feminina e doce:

— Boa noite! — Fiquei com arrepios pelo pescoço todo, como se a dona daquela voz meiga estivesse perto de mim, a soprar suavemente na minha nuca.

Parei de varrer, virei para trás e, por um momento parecia ter perdido a minha voz, procurando algo que não me vinha à mente de maneira nenhuma. Até que as palavras saíram sem eu querer:

— Me perdoe, mas já fecha…

— Quem tem de pedir desculpas sou eu, por interromper o seu trabalho. — Ela nem me deixou terminar a frase. Trajava um vestido azul turquesa, colado ao seu corpo cheio de curvas, que me fez alterar o ritmo do meu coração.

Perguntei-lhe o mais calmamente possível:

— Não faz mal, até que gostei da intromissão. Em que posso ser-lhe útil? — Aproximei-me mais um pouco dela.

— Receio que a minha bolsa preta tenha ficado cá — disse, fixando os seus olhos nos meus. Só aí descobri que aquela linda mulher tinha estado no meu bar e eu nem tinha notado. Como era possível? Devia estar com a cabeça noutro sítio. Fui até atrás do bar, mostrei-lhe uma bolsa e perguntei-lhe :

— É esta?

— Sim. Graças a Deus! — Ela sorriu para mim e continuou: – Só dei pela sua falta quando a ia abrir para procurar a chave do carro. Muito obrigada por guardá-la.

Avançou para mim mas, em vez de lha devolver, disse:

— Só a devolvo com uma condição.

Olhou para mim surpresa, mordiscou o seu lábio inferior. Quando ia abrir aquela boca apetecível, dirigi-me à jukebox e coloquei God gave me you do Blake Shelton. Cheguei à sua beira e ofereci-lhe a minha mão direita, dizendo, sem tirar o olhar dela:

— Dança comigo, princesa? — Dei-lhe o meu melhor sorriso e aguardei a sua reação.

E ali ficamos a dançar a noite toda, à média luz, naquele chão de pedra, com as cadeiras arrumadas por mim, por cima das mesas, do meu primeiro bar.

Eu encontrara a minha alma gêmea.

 

 

Susana Silva

Portuguesa, escritora. Faço parte da equipe de autores do Cyber Séries, escrevo contos, poemas e poesias.

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