Anjos de Metal: Capitulo 9 – Mau Presságio

Anjos de Metal: Capitulo 9 – Mau Presságio

Tudo começou há alguns meses atrás quando Lucca sem querer descobriu uma brecha nos protocolos de defe­sa da área 51, enquanto testava o Walking contra os mes­mos protocolos que Az tentava destruir.

O Walking era um programa criado por ele, que usa­va o próprio computador para deixá-lo mais lento, fazen­do com que o sistema parasse de enviar informações para a rede e passasse apenas a receber as mesmas informações em um ciclo infinito, isso dava uma espécie de bug no sistema e o fazia repetir os mesmos processos varias vezes seguidas.

Durante o processo de construção desse programa ele encontrou um arquivo malicioso que fazia com que todos os seus arquivos remetessem um mesmo padrão de com­portamento, tornavam-se atalhos inúteis repetindo um mesmo programa AZ.

Desde então os dois vem se enfrentando quase que diariamente em segredo, pelo controle total da parte res­trita da área 51, pois os dois estavam interessados em des­cobrir o que havia atrás do protocolo de defesa desconhe­cido, até aquele momento os protocolos de Lucca levavam a melhor com relação às habilidades de Az.

─ Eu estive preparando isso durante meses, e nem mesmo você percebeu. ─ Disse Az ainda de olho na tela.

─ Quais são seus planos para hoje à noite? ─ Pergun­tou Lucca.

─ O mesmo de todas as noites. ─ Respondeu ele sem tirar a tela do computador. ─ Derrotar você e ter o contro­le da área 51.

─ Nem mesmo nos seus maiores sonhos Az. ─ Lucca disse reiniciando o celular. ─ Protocolo vocal nível Ômega ativado.

─ RECONHECIMENTO DE VOZ ACEITO. ─ Disse a voz robótica. ─ BEM VINDO ANJO ÔMEGA.

─ O grande Anjo Ômega mostrará do que é capaz… Eu estou morrendo de medo. ─ Desafiou Az.

Em segundos a tela do pequeno celular tornou-se gi­gantesca diante dele, mostrando milhares de pontinhos brilhantes em um mapa global tridimensional.

─ Essa noite nem mesmo você poderá me deter. ─ Az respondeu entregando o tablet nas mãos de Lucca. ─ Pe­los meus cálculos você tem apenas dez segundos.

O contador digital do tablet mostrava os números em ordem decrescente, e as palavras CAIXA DE PANDORA piscava na tela cada vez que os números mudavam.

─ Creio eu que este tempo seja mais que suficiente para derrotar você. ─ Lucca respondeu com os olhos em seu inimigo

─ Só mais 05 segundos.

─ DOWNLOAD CONCLUÍDO COM SUCESSO. ─ Disse a voz robótica no celular de Lucca.

─ O seu tempo está acabando. ─ Disse Az junto ao seu ouvido. ─ O que você vai fazer?

─ Qual o propósito de tudo isso? ─ Lucca perguntou digitando algumas coordenadas, que fizeram os pontos vermelhos na tela se transformarem em verdes.

─ Eu venho te observando há meses, e não posso per­doá-lo pelo que você fez com minha amada. ─ Disse Az guardando o tablet na pequena mochila que ele carrega­va.  ─ Ela não merecia isso.

─ Ela… Espere um pouco, do que você esta falando? ─ Quis saber Lucca, que agora deixara o celular de lado e encarava o rosto de Az emanando tanto ódio em seus atos, que fizera Lucca tremer de medo. ─ Quem é ela?

─ Ela não merecia o que você fez… ─ Disse Az che­gando cada vez mais perto. ─ Minha linda menina, você a feriu gravemente esta noite. Você é um monstro. ─ Az gritou. ─ Você tem tudo e ainda assim não percebe.

─ Perceber o quê?… O que eu deveria ter percebido? ─ Lucca respondeu atônito.

O celular não respondia a seus comandos, o vírus im­plantado ali estava consumindo e destruindo todos os dados do aparelho.

─ Você não sabe não é? ─ Ele perguntou como se já soubesse a resposta.

─ Saber o quê!? ─ Um misto de medo e pânico tomou conta de Lucca, suas pernas tremiam, seus olhos lacrime­javam bem lá no fundo Lucca sabia o que Az queria, mais custava a acreditar.

Pela primeira vez em sua vida ele não sabia o que fa­zer diante daquela situação. Az era um louco que não falava coisa com coisa

“─ De quem ele está falando?” ─ Pensou ele. “─ Que droga é essa que ele colocou aqui?”

       ─ Eu vou destruí-lo. ─ Ele respondeu. ─ De todas as formas possíveis, você vai pagar pelo que fez a ela.

─ FALHA NO SISTEMA. ─ Anunciou o celular. ─ VÍRUS DESCONHECIDO PROVOCARÁ A PANE NO SISTEMA EM CINCO SEGUNDOS.

─ O seu sistema é o primeiro passo. ─ Disse Az com um largo sorriso em seu rosto. ─ Se você tiver coragem me enfrente mais uma vez.

Deixando a atmosfera pesada no ar, Az deixou claro que aquela não seria a última vez que eles se enfrentariam cara a cara.

─ Eu tenho algumas surpresas para você e seus ami­gos. Vocês não perdem por esperar.

E assim Az desapareceu entre as árvores da mesma forma que surgiu. Sem deixar rastros.

***

Ele estava prestes a cair, faltavam apenas alguns cen­tímetros de corrente para que a gaiola despencasse num buraco que não parecia ter fim. Ela podia ver nitidamente um garoto com cerca de quinze anos, talvez dezessete, encolhido num dos cantos da gaiola, ele parecia estar de­sacordado, um corte profundo em sua testa e o sangue havia percorrido seu rosto e manchado seus óculos, suas roupas estavam sujas de sangue.

Ele havia lutado e perdido.

O homem que controlava a corrente parecia estar an­sioso para deixar a gaiola cair, ele era forte, suas mãos grandes pareciam não fazer esforço.

─ Acalme-se lacaio, esse ladrãozinho terá o que mere­ce em breve. ─ Disse um homem mais velho que segurava um livro de couro grosso em suas mãos.

─ Sim meu senhor. ─ Disse o homem baixando o olhar em sinal de respeito.

─ Eu preciso dele vivo, ou ele não retornará em seu estado pleno. ─ Disse o homem folheando o livro à procu­ra de algo.

Uma forte luz queimou os olhos de Alice por alguns segundos, quando a iluminação voltou ao normal à meni­na estava frente a frente com o velho que segurava o livro de couro, ela podia ver seu rosto pálido quase sem uma gota de sangue, seus olhos não tinham cor alguma eram apenas dois orifícios brancos horríveis de se encarar.

─ Ele irá retornar em breve guardião, sua luta jamais será bem sucedida.

─ Isso não é verdade. ─ Respondeu o garoto preso a jaula, que acordara. ─ Nós conseguiremos restituir a energia elementar do planeta.

─ Essa é uma batalha sem sentido. ─ Disse o homem. ─ Junte-se a nós e viva.

─ Você nunca encontrará a fonte de poder do planeta.

─ Isso é o que veremos criança.

***

Mais uma vez um clarão tomou conta do lugar e a vi­são de Alice havia mudado novamente, agora ela estava presa na gaiola. Suas mãos amarradas frente ao corpo e manchadas de sangue agora tocavam as grades da pe­quena cela de prata, seu corpo estava dolorido e ela respi­rava com dificuldade.

Ao olhar para cima ela podia ver a luz da lua min­guante tocando um tipo de relógio lunar com quatro sila­bas escritas, silabas estas que ela não distinguia, mas que claramente estava ligada ao que o homem estava procu­rando no livro.

─ Esse grimório é inútil para você. ─ Disse ela de den­tro da gaiola. ─ Sem saber a língua dos antigos guardiões ele não tem poder nenhum. É apenas mais um livro velho sem nenhuma utilidade.

─ Cale-se garoto. ─ Esbravejou o homem. ─ Apenas tenha um pouco de paciência e assista ao espetáculo.

O homem continuava a recitar os versos no livro. Pre­sa à gaiola Alice apenas esperava impaciente que algo acontecesse bem rápido, pois logo a lua atingiria seu ápice e ela não queria que as ameaças do homem acontecessem.  Ela tinha um mau pressentimento a esse respeito.

 O abismo abaixo parecia não ter um fim, o ar gélido que saia dele fazia com que Alice tivesse mais medo. Ela tentou gritar mais sua voz não saia, parecia que ela estava presa em outro corpo, e assim não podia exercer a sua própria vontade.

O lacaio parecia contente com as palavras de seu mes­tre, ele não parava de sorrir e olhar para o abismo.

─ Ele me recompensará. ─ Afirmou o homem. ─ O fi­el servo que esteve com ele por todo esse tempo.

─ Não esteja tão certo. ─ Disse Alice ainda tentando se libertar de suas amarras.

─ Nosso mestre é mais poderoso que tudo em que você acredita. ─ Afirmou o lacaio lançando um olhar frio. ─ Esse mundo sucumbirá a sua vontade.

─ Nós não deixaremos que aconteça. ─ Esbravejou  ela.

─ Não se esforce criança. ─ Disse o velho. ─ Quando a lua atingir seu ponto mais alto você esquecerá tudo, e dará lugar apenas ao caos.

─ Tudo o que ele precisa é de um corpo para habitar. ─ Disse o lacaio feliz. ─ O seu corpo.

Apollo Souza

SOBRE MIM
Hélio Soares de Souza, desenhista e escritor, sob o pseudonimo de Apollo Souza, nasceu em 09 de dezembro de 1986 na cidade de Natal- RN. Formou –se em pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acarau no ano de 2012 na cidade de Santo Antonio do Salto da Onça, onde mora desde os 09 anos de idade. Leitor assíduo prefere temas que envolvam mitologia, magia e desenhos animados, sempre gostou de criar suas próprias historias e desenhar os personagens que fizeram parte de sua infância.
Publicou seu primeiro trabalho na Bookess editora, ao transformar sua tese de graduação em pedagogia em livro, decidiu escrever seu primeiro romance/ ficção após ler A arma Escarlate de Renata Ventura e se apaixonar por muitos de seus personagens cativantes e incertos.