Anjos de Metal: Capitulo 8 – Hacker x Hacker

Anjos de Metal: Capitulo 8 – Hacker x Hacker

Lucca vagou sem rumo por algumas horas pensativo.

Os fatos que ocorreram há pouco tempo certamente foram causados por ele não havia dúvida. Toda a raiva que ele sentia naquele momento explodiu em magia, e isso causou todo o desastre.

Ele precisava pensar, e só havia um lugar ali no meio de todo aquele caos que o mantinha a salvo de seus próprios pensamentos, o lugar mais calmo no qual Lucca era capaz de colocar as ideias no lugar e agir com clareza.

O parque estava apinhado de gente, com a liberação das aulas todos os alunos estavam lá, conversando, namorando ou em pequenos grupos tocando e cantando alguma coisa, como era de costume.

Alguns carrinhos de guloseimas e lanches rápidos faziam a alegria da galera. Apesar das inúmeras pessoas ao seu redor, ele estava distante, como se não houvesse ninguém por perto.

─ Boa noite. ─ Cumprimentou o guarda quando ele passou.

Lucca apenas sorriu em resposta.

As poucas crianças que ali estavam, brincavam animadas próximos aos pais que simplesmente descansavam de um dia estressante.

Ele sentou-se sozinho em um banco de madeira escondido de todos por uma árvore alta. Então pegou o celular e começou a fuçar todas as coisas sem sentido que podia na internet.

Sites de jogos online, redes sociais especificas para jogos de RPG e discussões em fóruns.

Lucca abriu o e-mail de forma automática, nada de novo tinha chegado desde a última vez que ele tinha checado.

Enquanto Lucca realizava algumas transações referentes ao show que se realizaria daqui a algumas semanas, uma nova mensagem apareceu na tela.

O e-mail não fazia parte de seus contatos habituais mais Lucca decidiu abrir, pois em seu título continha um assunto interessante, pelo menos para ele.

O mito de Pandora.

─ ALERTA DE FIREWALL. ─ Gritou uma voz robótica vinda se seu celular quando ele abriu a mensagem.

─ Agora não, droga. ─ Ele retirou do bolso um cabo USB, que parecia estar ligado a um tipo de HD externo e o conectou ao celular.

─ NÍVEL CRÍTICO CINCO, NÍVEL CRÍTICO CINCO. — Repetia a voz. ─ ALGUÉM ESTÁ TENTANDO INVA-

DIR O SISTEMA.

─ Enviar para a quarentena. ─ Ele ordenou para a máquina.

─ IMPOSSÍVEL CARREGAR OS DADOS. ─ Respondeu a voz robótica. ─ NÍVEL DE SEGURANÇA UM QUEBRADO, INVADINDO O SEGUNDO NÍVEL AGORA.

─ É hora da diversão. ─ Disse ele com um sorriso no rosto. ─ Rastrear a origem em modo Walking agora.

─ MUDANÇA DE NÍVEL INICIADA EM 10… 09… 08….

─ Vamos… Quem está tentando brincar comigo. ─ Disse digitando rapidamente algumas ordens criptografadas.

─ AMEAÇA DE INVASÃO DETECTADA.

─ O quê? Que merda esse cara tá fazendo? ─ Ele disse colocando as mãos na cabeça.

─ BARREIRA DE CONTENÇÃO TRÊS QUEBRADA. ─ Avisou a voz.

─ Quanto tempo para a varredura total!? ─ Ele perguntou aflito.

─ 80% CONCLUÍDO, CINCO SEGUNDOS RESTANTE.

─ Vamos com isso!

─ MODO WALKING CONCLUÍDO.

─ Ok, de onde vem à ameaça? — Disse ele.

─ IP: 032-450-002-210, O IP DE UM APARELHO CELULAR.

─ Qual a distância do invasor?

─ A AMEAÇA VEM DE DENTRO DO PARQUE. NUM RAIO DE DEZ METROS.

─ Apareça, eu sei que você esta aí.

***

─ Simplesmente impressionante.

Vindo das sombras como um fantasma, o garoto de aparência esquisita e incomum apareceu mostrando-se feliz com o que estava acontecendo.

─ Belo trabalho você fez aqui. ─ Disse o garoto sorrindo.

─ Obrigado. ─ Lucca respondeu encarando-o nos olhos ─ Quem é você?

─ Lucca Souza, 17 anos, data de nascimento 09/12. Estudante do segundo ano no instituto para jovens superdotados. Filho de Orfeu Oberon Souza e mãe desconhecida. ─ Retrucou o garoto em resposta.

─ Vejo que você levantou toda a minha ficha, pena que eu não possa dizer o mesmo sobre você. ─ Disse Lucca apertando o aparelho portátil em suas mãos.

─ É um prazer conhecê-lo filho de Orfeu, tenho que admitir que foi um pouco difícil encontrá-lo.

─ Pois é, e eu devo lhe dar os parabéns por tal feito. – Respondeu Lucca aproximando-se do garoto. ─ Não tem muita gente capaz por aqui de fazer isso.

─ Agradeço pelo elogio. – Disse ele. ─ Devo admitir que foi bem difícil.

─ É eu faço o que posso.

─ O que é esse modo WALKING que você usou contra mim? — Ele perguntou checando o tablet. ─ Um pouco difícil de detectar.

─ Um programa de multilinguagem que me permite fazer qualquer coisa. ─ Disse Lucca intrigado.

Ao ouvir aquela pergunta a atmosfera de raiva havia sumido totalmente, dando lugar a uma luta psicológica entre Lucca e o desconhecido.

─ Interessante esse seu brinquedinho. ─ Observou o estranho.

─ Sim. É bem interessante, mas afinal de contas quem é você? ─ Insistiu Lucca.

─ Assim você me ofende meu caro Lucca. Ou eu devo chamá-lo de Anjo Ômega. ─ Disse ele em resposta. ─ Uma mente tão brilhante quanto a minha seria capaz de encontrar tal resposta.

Os dois garotos continuavam a se estudar.

Lucca não estava lidando com uma pessoa de mente simples, como as pessoas daquela cidade, aquele garoto magrelo era alguém do mais alto nível. Ninguém além dele e dos quatro amigos sabia da existência do Anjo Ômega. Um codinome virtual para as suas brincadeiras um tanto “inocentes”.

─ Está me propondo um desafio? ─ Perguntou Lucca.

─ Desafios são sempre interessantes, não acha? ─ Rebateu o outro.

─ Realmente, desafios são sempre muito interessantes. ─ Lucca respondeu curioso. ─ Quais são os termos do desafio?

─ É bem simples. ─ Ele respondeu. ─ Há algumas semanas todos nessa cidade receberam um e-mail misterioso…

─ A caixa de Pandora.

─ Precisamente.

O garoto era a fonte daquele vírus malicioso que quase invadiu o sistema de navegação inteligente do garoto, ou PET como Lucca apelidou carinhosamente.

─ O que eu tenho que fazer? ─ Perguntou ele ainda mais interessado na proposta.

─ Você deve localizar a verdadeira fonte do vírus e destruí-lo. ─ Disse o garoto mexendo no tablet. ─ Se você conseguir eu paro com as minhas atividades extras, e você nunca mais vai me ver.

─ E se eu não conseguir?

─ Se você não conseguir você se entrega para as autoridades em meu nome.

─ É uma proposta bem arriscada. ─ Disse Lucca tentado a aceitar. ─ Tudo bem, mas antes me diga qual o seu verdadeiro nome.

─ Então você já descobriu? ─ Perguntou ele. ─ Eu não esperaria menos de você.

─ Sim. Você é o cara que tem me causado problemas, um tanto difíceis de resolver. ─ Disse Lucca estendendo a mão.

─ Que indelicado da minha parte. ─ O garoto respondeu estendendo a mão. ─ Eu sou Ângelo Azuos, mas você deve me conhecer como AZ.

***

O famoso Az estava bem diante dele. Uma pedra no sapato que Lucca queria eliminar de vez da face cibernética estava bem ali, e ele podia tocá-lo.

Uma mistura de alegria e raiva tomou conta de Lucca, pois ele tinha diante de si o seu maior inimigo em todo o mundo virtual. A única pessoa capaz de lutar de igual para igual com ele.

Os garotos apertaram as mãos e se encaravam, procurando por algum sinal de fraqueza um no outro.

Az se passava facilmente por um garoto normal de 15 anos tímido, cheio de espinhas e sardas no rosto, seus olhos azuis se mostravam ingênuos e puros, seu semblante escondia meses de atrocidades cibernéticas que Lucca estava tentando combater.

─ Enfim te encontrei cara a cara Lucca. ─ Disse Az sem tirar seus olhos da tela. ─ Estou ansioso pelo nosso próximo jogo.

─ Da última vez você quase conseguiu derrubar o protocolo de defesa da área 51. ─ Ele respondeu com um leve sorriso.

─ Pois é, e tudo graças ao seu programa Walking, cujo protocolo de combate é um mistério para mim.

─ Uma interface simples. Este é um navi ultrapassado comparado ao meu novo projeto.

─ Interessante. ─ Respondeu ele.

Lucca e Az trocaram olhares invasivos enquanto digitavam senhas de acesso em seus dispositivos. A luta era meramente psicológica, fazendo com que os dois usassem todas as armas possíveis para a destruição um do outro.

─ Vamos ver se esse seu programa Walking resiste à Pandora, não em uma escala única, mais sim em escala mundial.

─ Pode mandar. ─ Lucca respondeu eufórico.

Aquela definitivamente era uma briga entre crianças, para ver quem se sairia melhor naquela tarefa.

 

Apollo Souza

SOBRE MIM
Hélio Soares de Souza, desenhista e escritor, sob o pseudonimo de Apollo Souza, nasceu em 09 de dezembro de 1986 na cidade de Natal- RN. Formou –se em pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acarau no ano de 2012 na cidade de Santo Antonio do Salto da Onça, onde mora desde os 09 anos de idade. Leitor assíduo prefere temas que envolvam mitologia, magia e desenhos animados, sempre gostou de criar suas próprias historias e desenhar os personagens que fizeram parte de sua infância.
Publicou seu primeiro trabalho na Bookess editora, ao transformar sua tese de graduação em pedagogia em livro, decidiu escrever seu primeiro romance/ ficção após ler A arma Escarlate de Renata Ventura e se apaixonar por muitos de seus personagens cativantes e incertos.