Anjos de Metal – Capitulo 20: Armadilha do Destino

Anjos de Metal – Capitulo 20: Armadilha do Destino

21/01/2018 Anjos de metal No ar Web Série 0

Eurídice tinha os olhos fixos em uma pequena caixa dourada, em seu interior aveludado pousava um delicado colar em ouro branco adornado com uma pequena esmeralda refletindo os fracos raios do sol poente. Naquela caixa tão delicada ela havia depositado as esperanças de um amor juvenil que durou quase uma eternidade, aquele era um presente de seu amado, uma lembrança do tempo que eles haviam passado juntos.

Há tempos Eurídice já não contava o passar dos anos, apesar da sua condição ela vivia intensamente cada segundo de sua existência não se importando com mais nada alem do seu bem estar e do de sua filha.

Apesar disso, ela ainda se prendia ao passado, tendo toda a eternidade para viver, uma vida diferente das demais, não havia a menor duvida disso, mesmo assim uma vida cheia de grandes surpresas.

Uma delas foi Alice, há mais ou menos dezessete anos, seu nascimento foi algo lindo porem inusitado. Como poderia ser possível uma vampira com alguns séculos de idade ser capaz de gerar em seu ventre uma vida.

Segundo sua condição, a única forma de preservar a espécie seria transmutar um ser humano dando a ele seu próprio sangue, e assim, os vampiros tornariam o transmutado um filho da noite e teriam de ensina-lo a se adaptar e sobreviver na escuridão. Amaldiçoada pelo destino, a pobre criança estava fadada a uma vida noturna assim como a mãe.

Como regra geral de sua classe, ela pertencia a um grupo e serviria a ele pelo resto da eternidade, ou ate ser liberada desse fardo pelo chefe do bando, para tanto, todos os vampiros estavam terminantemente proibidos de transmutar recém-nascidos, pois estes não poderiam se desenvolver plenamente, necessitando de cuidados eternos por parte de seu padrinho vampiro.

O pequeno mimo fora feito por Orfeu há muito tempo e dado a ela como presente de casamento, aquele objeto tinha o poder de livra-la de sua condição enquanto ela o usasse, e assim foi ate o dia do nascimento de Alice.

 

***

 

A chuva estava forte e o vento agitava as folhas das arvores, como um sussurro pareciam anunciar seu nascimento. Eurídice estava fraca, deitada em sua cama ela segurava nos braços duas crianças embrulhadas em cobertores.

A lareira acesa dava a velha cabana o ar aconchegante deixando o frio do inverno do lado de fora.

─ Eles são lindos, não são? ─ Disse ela olhando para os filhos em seus braços e sorrindo.

─ Um menino e uma menina. ─ Ele disse colocando mais um travesseiro para que ela se apoiasse.

─ A menina de pele clara se chamará Alice, e o menino será Lucas, eles viverão felizes e vão provar que é possível para vampiros e magos podem se entender.

Aquela não fora uma gravidez comum, não só pelo fato de Eurídice ser vampira mais sim pelo fato de ela ter

durado apenas metade do tempo normal.

Graças ao anel que ele havia fabricado Eurídice havia suprimido toda a sua sede de sangue e vivia ao lado dele como uma humana normal, ele sabia que ela não poderia ter filhos de modo natural, pois sua condição não permitia tal fato.

Em quatro meses e meio Orfeu viu a barriga de Eurídice crescer alem do esperado, ele não queria aborrecer a esposa com isso, mas estava preocupado demais com o futuro dos filhos. Eles mal haviam nascido e já carregavam o peso de uma grande responsabilidade.

─ Agora todos eles sabem quem sou. ─ Ela disse tentando fugir do olhar dele.

─ Sim, eu tenho certeza que eles virão atrás de você logo. ─ Ele respondeu. ─ Mas nós daremos um jeito. Eu prometo.

─ Você não precisa me convencer que tudo ficará bem. ─ Ela disse com lagrimas nos olhos.

─ Eu sei, ─ disse ele envergonhado, olhando para o chão.  ─ eu queria dizer que você nunca sofrerá, mas você vai.

─ Mas eu vou sobreviver, eu estarei com você para sempre, se você quiser.

Orfeu apenas sorriu e deu um beijo em sua testa.

─ Eu vou superar isso, da mesma forma que eu superei tudo, um dia de cada vez. ─ Disse ela fitando visando o horizonte. – Eu preciso entrar. Logo o sol vai nascer.

─ Você não precisa mais se esconder. ─ Ele disse mostrando a ela uma pequena caixa dourada. ─ eu fiz isso ontem para você.

Orfeu abriu a caixa e mostrou a ela um lindo colar em ouro branco com a esmeralda, e um pequeno anel do mesmo material.

─ isso seria…

─ Um anel da luz do dia. ─ Disse ele colocando em seu dedo. – Um dia de cada vez, certo?

Eurídice sorriu como se esperasse por mais alguma coisa. Ele a beijou como se aquele fosse o ultimo beijo de suas vidas.

Ela apenas recostou a cabeça em seu ombro e ficou ali esperando o raiar de um novo do dia.

A partir daquele momento nada mais importava, os dois seriam caçados por toda a eternidade, um por ter traído uma ordem milenar e o outro por fazer parte de um circo de horrores.

Nada mais importava para eles, agora que estavam juntos para sempre.

O sol perdia seu brilho e dava lugar à majestosa lua, e a lembrança dele se fez presente mais uma vez.

─ Hoje é à noite em que nós nos casamos meu querido Orfeu. ─ Disse ela fechando a caixa. ─ Essa é uma noite de sangue fresco.

Aquela era uma noite especial, e ela precisava comemorar a altura. Ela trajava um longo vestido negro de calda longa, bordado em cristais, seus cabelos louros estavam presos num coque no topo de sua cabeça, e no fim um hashi de cedro arrematava o figurino.

Seus olhos brilhavam, como os de uma criança ao ganhar um brinquedo novo, Eurídice estava de volta a ativa e pronta para matar.

 

***

 

Ofegante, Eurídice corre para salvar sua vida, desesperada ela constantemente olha ao seu redor para ter certeza de que esta longe daqueles que a perseguem. Ela ainda podia ouvir seus passos a tamanha distancia, se seus ouvidos não a enganassem seus perseguidores estariam a cinco ou seis metros de distancia, pelos seus cálculos ela logo estaria morta.

Ela calculava mais ou menos seis homens em seu encalço, os latidos estavam um tanto altos, o que indicava que os cães farejadores logo estariam próximos.

Eurídice estava ficando cansada daquela correria, suas pernas começavam a lhe pregar peças, elas estavam pesadas e seus pés formigavam. Uma flecha passou próximo ao seu rosto. Um cheiro familiar invadiu suas narinas, ela tossia.

─ Verbena. ─ Disse ela a si mesma. ─ eles querem mesmo me matar.

Três outras flechas foram disparadas em seguida. A primeira quase a acertou, passando de raspão por baixo do braço sem proteção. As outras duas cruzaram em direções opostas acertando em duas arvores próximas, eles estavam bem próximos.

─ Você não conseguirá fugir. ─ Disse o homem atrás dela. ─ Seus amigos não conseguiram.

─ Amigos? Do que ele estava falando.

Eurídice parou por um momento para entender aquela nova informação.

Ela não era a única vampira na cidade, consequentemente ela não era o motivo para eles estarem ali.

─ O que vocês querem comigo? ─ Ela gritou em resposta.

─ Você terá uma morte sem dor. ─ Disse um homem a sua frente.

Ela quase não percebeu que tinha alguém a sua frente. Eurídice tentou virar – se em direção ao homem mais próximo. Sua voz era familiar, ela definitivamente o conhecia.

─ Orfeu, é você?

Seu coração acelerou. Ofegante Eurídice sentiu uma flecha atravessar-lhe o peito.

 

Apollo Souza

Apollo Souza nasceu em 09/12/1986, formado em Pedagogia pela UVA. Autor da Serie Anjos de Metal (Portal Cyber Series), Pesadelo e O Vazio que Hatita em mim

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