Além da porteira: Capítulo 7

Além da porteira: Capítulo 7

A movimentação enfrente a igreja da vila, ainda é intensa, pois todos estão preocupados com a saúde do padre Chico. Dolores e a beata mais próxima do padre ao saber que estava sendo solicitada por ele, foi imediatamente atender o seu chamado.

DOLORES: Com licença padre. O senhor mandou me chamar?

PADRE: Mandei sim!

DOLORES: Em que posso lhe ajudar? Se sente melhor? O que o senhor tem? Quer que eu chame um médico? Quer que lhe prepare um chá? O senhor….

PADRE: Chega dona Dolores! Quantas perguntas de uma só vez! Quer que eu morra? Eu só quero uma coisa da senhora. Fale para esse povo que já estou bem e que podem voltar para suas casas. Só isso que eu quero. Vá até lá e faça isso se for possível. e a senhora também pode ir para sua casa. Muito obrigada dona Dolores.

Dolores um pouco contrariada por não ter ficado sabendo de nada, foi fazer o que o padre pediu.

NA  MERCEARIA

Da mercearia é possível ver tudo o que se passa em frente a igreja, Ciro, sua esposa Vera e a filha Tina estão curiosos sobre aquela manifestação em massa da população da vila Raízes da Terra.

CIRO:O que pode ser aquilo?

TINA: Vou até lá para saber o que está acontecendo.

CIRO: Sozinha? Nem pensar. Volte pra dentro e fique quieta.

TINA: Por que papai, eu não posso ir sozinha?

VERA:O que é isso Ciro? Você nunca agiu assim!

CIRO: Eu estava cego em não perceber que nossa filha já é uma moça feita, e essa vila está cheia de marmanjos que ficam cobiçando filhas dos outros. Eu não quero você andando sozinha por aí. Só se for com sua mãe.

TINA:O que papai? Então quer dizer que agora virei uma prisioneira só por ter crescido e me tornado uma moça feita.

CIRO: Não é uma prisão minha filha é uma precaução, e cuidado de pai.

TINA: Que coisa mais antiga meu pai e o senhor acha que vou dar atenção para algum homem?

CIRO: Minha filha eu sou homem, eu sei o que passa na cabeça de um homem quando ver uma mulher passando sozinha. Eu não quero que você seja um objeto de desejo de ninguém.

VERA:É minha filha, esses poucos dias que passamos na capital ,serviram para seu pai fertilizar sua imaginação.

TINA:E que imaginação!

NA  IGREJA

Dolores, então fez o que o padre Chico lhe pediu. Os fiéis ficaram mais tranquilos e começaram a se dispersarem. Tenório ficou curioso em conhecer o tão querido padre Chico, enquanto o povo se movimentava para voltar para suas casas, ele conseguiu sair de fininho e adentrar-se a igreja e foi até a sacristia, e lá estava o padre Chico.

PADRE: Será que já chegaram? O que esses dois malucos estão vindo fazer aqui nesse fim de mundo?

TENÓRIO: Da licença padre?

PADRE: Pois não! Quero descansar.

TENÓRIO: Eu não a-cre-di-to no que estou vendo! Chiquinho é você? O que está fazendo com essa roupa de padre, companheiro? O que é isso?

PADRE:O que você veio fazer aqui Tetê. Venha aqui, fale baixo, vamos conversar.

TENÓRIO: Mas primeiro eu quero um abraço para aliviar um pouco a saudade..(momento para o abraço). Mas me conta. Por que você está vestido assim? Você é o padre Chico que esse povo tanto venera?

PADRE: Sim, sou o padre Chico. Mas é uma longa história. Sente-se aqui que vou te contar como o padre Chico surgiu.

TENÓRIO: Agora fiquei curioso. Vai me contar tudo.

PADRE: Pois bem. Você se lembra que lá em Belo Horizonte ,um dia lhe disse que eu iria passar uns tempos na casa de meus  tios, numa cidade aqui da região.

TENÓRIO: Sim ,me lembro e até fiquei muito triste com sua saída da capital.

CHICO: Então, quando embarquei no ônibus que destinava para essa cidade, ouvi uma história que me chamou a atenção e me interessei pelo caso.

TENÓRIO: Mas que história tão atraente foi esse meu amigo?

CHICO: Alguns passageiros eram daqui, da vila Raízes da Terra e comentavam que o padre da igreja daqui havia falecido já a algum tempo, já tinham comunicado ao bispo e até então, não havia  chegado outro padre para a capela deles.

TENÓRIO: Mas onde é que entra você com o padre Chico?

CHICO: Veja bem. Foi aí que eu tive a ideia maluca de assumir o lugar do falecido padre Demerval. Viajei até a próxima cidadezinha, desci do ônibus, hospedei por duas noites em uma pensão, comprei alguns tecidos e mandei com urgência uma costureira confeccionar uma batina para mim, comprei alguns vídeos religiosos, terços e aprendi a rezar missas. No outro dia, já caracterizado de padre, peguei o ônibus novamente e cheguei aqui, como enviado do bispo e assumi a capela como o vigário nomeado.

TENÓRIO: Que história maluca mano! Mas você sabe que isso é crime?

CHICO: Se sei. Mas é muito divertido ser padre .Você ouve cada histórias no confessionário.

TENÓRIO: Mas, você já pensou na hipótese do bispo enviar o padre solicitado? O que vai ser do padre Chico?

Como pudemos ver Chico se meteu numa baita de uma enrascada e que poderá levá-lo a cadeia. Mas enquanto Chico se explica para Tenório na sacristia da igreja, Margarida está na tentativa de se aproximar de Dico. O peão está montado num cavalo branco, parado próximo à igreja.

MARGARIDA: Olá, príncipe!

DICO: Está falando com quem moça?

MARGARIDA:C om você meu galã!

DICO: Mas a moça me conhece?

MARGARIDA: Sim, dos meus sonhos.

DICO: Mas assim a moça me deixa sem jeito.

MARGARIDA: Me responde uma coisa. Você está livre?

DICO: Livre? Como assim?

MARGARIDA: Você é solteiro?

DICO: Ah bem! Sou solteiríssimo.

MARGARIDA: Que bom! Me leva na sua garupa para conhecer a vila?

DICO: Mas é claro! Sobe aqui.

Margarida sem conhecer direito o peão, já tratou de se dar bem na vila, afinal esse é o tipo de mulher que Dico gosta.

No próximo capítulo, Chico e Tenório continuarão a falar sobre o disfarce e se preocupam com o futuro.

CONTINUA……………….

  • Charlotte Marx

    <3 Vamos ler!

Close