Além da porteira: Capítulo 4

Além da porteira: Capítulo 4

Santa e Dolores, ao saírem da igreja, comentam:

SANTA:Uma coisa está me intrigando.

DOLORES:O que é Santa? Me fale.

SANTA:O telegrama ,veio direcionado para Chico Honório e não ao Padre Chico.Não é estranho.?

DOLORES:Realmente .Qualquer pessoa, que se dirige a um padre,o chamará de padre e não só pelo nome.

SANTA:Vou estar atenta nas próximas correspondências que vierem para o padre.

DOLORES:Isso mesmo,quero te ajudar nessa sobre o nosso padre.

NA IGREJA

O padre Chico está muito agitado após ter lido o telegrama.

PADRE:E agora?O que vou fazer?Como ele foi descobrir o meu endereço?Estou perdido.Isso não pode acontecer.

Enquanto o padre está tentando se recompor ,chega dona Zenaide e Promessa para falarem com ele.

ZENADE:Bom dia padre Chico.O senhor está bem?

PADRE:Bem?Ah!Sim ,estou muito bem dona Zenaide.Entre.Mas , o que a traz aqui?

ZENAIDE:Preciso muito da sua ajuda padre.Mas vejo que o senhor está um pouco alterado.

PADRE:Desculpe dona Zenaide.São problemas.Mas o que houve?

ZENAIDE:O meu marido,arranjou um casamento pra nossa filha.Mas ela não aceita e diz que não se casará de forma alguma nessas circunstâncias.E, Dorico é muito determinado.Quando ele fala alguma coisa tem que cumpri-la.E para evitar  maiores aborrecimentos,gostaria que o senhor aconselhasse Promessa a se casar.

PADRE:Mas isso, é um absurdo nos dias de hoje.Arranjar casamento, é coisa do passado.Ninguém hoje casa ,assim mais não dona Zenaide.Mas, pra evitar dissabores entre seu marido e vocês,vou falar com ela.

ZENAIDE:Realmente é um absurdo,mas Dorico é cabeça dura e exigente.Ficarei muito grata ao senhor.Posso mandá-la entrar.

PADRE:Sim. Verei o que posso fazer.

Zenaide está se sentindo num beco sem saída,pois conhece bem o marido.Se a filha não concordar em se casar com esse rapaz arranjado por ele , haverá muito sofrimento.

NA  FAZENDA

Renato e Tiãozinho estão de prosa no curral.

RENATO:A patroa parecia muito preocupada.Será o que está acontecendo moleque?

TIÃOZINHO: Não sei muito bem não .Mas me parece que o patrão quer que a patroinha se case um rapaz que é lá do Pantanal e que vai chegar aí.

RENATO: O que você está dizendo moleque?

TIÃOZINHO: Lembra daquela carta que eu trouxe outro dia.Então,aquela carta falava disso.

RENATO: Droga,quem será esse maldito que tá querendo roubar a minha gracinha?

TIÃOZINHO: O que você disse Renato?

RENATO: Nada moleque,da o fora daqui.Some.

TIÃOZINHO: Credo,o que é isso?

Renato, ficou muito nervoso ao saber que a sua amada poderá se casar com outro.

NA  COZINHA

Ceição e Flor também ficaram preocupadas com  a pressa de dona Zenaide para ir até a vila.

CEIÇÃO: Coitada da patroa tava muito perturbada.Será o que aconteceu?

FLOR:Eu ouvi um pouquinho da conversa das duas.Parece que o patrão arrumou um namorado pra Promessa e ela não quer.Aí antes do seu Dorico saber a opinião da filha,elas foram conversar com o padre Chico.

CEIÇÃO: O pobre do padre Chico é que paga o pato.Tudo sobra pra ele.

FLOR:Coitada da patorinha!Será que ela vai se casar a força.

CEIÇÃO: A patroinha não è boba minha filha ,ela é muito esperta.O patrão que se cuide.

NA IGREJA

Zenaide pede a Promessa para entrar que o padre Chico irá conversar com ela.

PADRE:Oi minha filha,sente-se aqui.Sua mãe me contou o que está acontecendo.E  esse é o motivo desse abatimento seu?

PROMESSA: Sim padre.Estou muito triste ,pois quando meu pai fala alguma coisa ,tem de ser seguido como uma lei,nada o faz voltar atrás.

PADRE: Seu pai ainda segue o costume de muitos anos atrás, e ele quer fazer o mesmo que os pais dele e da sua mãe  fizeram com eles.

PROMESSA: Exatamente,mas eu não vou aceitar esse tipo de imposição dele.Se eu tiver de me casar, só se for por amor,não para seguir costumes ultrapassados.

PADRE:Eu não vou te aconselhar a si casar nessas circunstâncias.Como você disse isso é ultrapassado.Mas,não cause aborrecimento a ele,converse com calma,tente fazer mudar de ideia,exponha para ele os seus sonhos,suas perspectivas de vida,que se casar assim não faz parte de seus ideais e que os tempos agora são outros;quem sabe assim ,com doçura o fará mudar de ideia?

PROMESSA:É impossível mudar as ideias de meu pai.Posso tentar com carrinho,mas nada conseguirei.

PADRE:Mas poderá ganhar tempo minha filha.

PROMESSA:É verdade padre ,posso ganhar tempo.Mas, o que vou fazer com esse tempo ganho ?

PADRE:Quem sabe lhe aparece alguém que você ame ,e que caia nos gosto de seu pai e ele esquecerá essa ideia de lhe casar com um estranho.

Promessa ,não vê outra saída a não ser seguir os conselhos do padre,para tentar fugir do casamento que seu pai aguarda durante anos.

E assim mãe e filha voltaram para a fazenda e no caminho Promessa contou toda a conversa que tivera com o padre,e com certeza a mãe a apoiará nessa empreitada.E  enquanto voltavam  e ao passarem enfrente a casa de Raul,Promessa comenta com a mãe sobre a atitude do rapaz em ficar isolado naquela casa se privando do mundo.

PROMESSA:Como pode um ser viver assim tão só.Não fala com as pessoas,não se diverte.É uma vida inútil.

ZENAIDE:Ele só atente a sua tia Glória.E por falar em Glória precisamos fazer uma visita a ela.A muito não nos vemos.Moramos tão perto e passamos tanto tempo sem nos falar.

E seguiram para a fazenda.

NA  VILA

Após ficar uns dias na capital,na casa de parentes ,desembarcam na pracinha da vila, dona Vera esposa de Ciro e sua filha Tina.

VERA:Finalmente chegamos.Que viagem cansativa.

TINA:Estou toda quebrada,mamãe.Se bem que o papai poderia ter vindo ao nosso encontro e nos ajudar com as malas.

VERA:Seu  pai não larga aquela mercearia por nada minha filha.Vamos ,que devagar chegaremos lá.

TINA:Olha mamãe está vindo o Dico,vamos pedir para ele levar essa mala  pesada.

Dico se aproxima.

DICO:Bom dia dona Vera.Bom dia Tina.

VERA:Seu Dico o senhor poderia nos prestar um favor?

DICO:Mas é claro dona Vera.O que posso fazer pra ajudar?

VERA:Leve essa mala aqui, que está mais pesada e deixe na merceria,por gentileza.E avise ao Ciro que estamos indo.

DICO:Deixa comigo,faço muito gosto em ajuda-las.

Dico então pegou a mala e se dirigiu até a mercearia,colocou-a no chão e…

CIRO:De quem e essa mala Dico?

DICO:É da sua esposa e de sua filha,que apiaram do ônibus,estão vindo a pé e me pediram pra trazer essa mala porque estava muito pesada.E eu como sou um cavaleiro,ajudei elas.

CIRO:Não se diz cavaleiro,para se referir a ser prestativo e sim cavalheiro.E pode deixar essa mala aí que eu a guardo,e pode ir .

Ciro, parece que não gostou muito da ajuda que Dico deu a sua esposa e filha.E as ditas chegam.

VERA:Puxa vida Ciro! Nem para ir ao nosso encontro.

CIRO:Não precisava,vocês pediram ao Dico pra lhes ajudar.

TINA:Ai papai, a gente esta tão cansadas,que aquela mala parecia pesar uma tonelada.

CIRO:Fico feliz com a chegada de vocês ,só não gostei do Dico um pião atrevido ter ajudado vocês.

Vera ,não quis continuar com a conversa porque estava muito cansada.Preferiu descansar a discutir com Ciro.

CONTINUA …