Além da porteira: Capítulo 12

Além da porteira: Capítulo 12

CASA  DE  DICO

Após uma noite de descanso,todos se preparam pra sair e Tenório já sabe onde  vai.

TENÓRIO: (Chega na mesa de café todo animado)Bom dia ,meus companheiros!

MARGARIDA (sentada na mesa de café)Posso saber por que tanto entusiasmo logo pela manhã meu irmão?

TENÓRIO (senta-se a mesa)Vou até a igreja me confessar maninha.

MARGARIDA: Ah, sim,entendi.

DICO: (em pé ajeitando o seu chapéu)Será que o padre Chico já se refez depois daquela missa de ontem.

TENÓRIO: Com certeza cabra, o Chiqui…..,o Padre Chico parece ter os pés no chão,mostra  firmeza no que faz. (levanta e sai)Bom deixem-me ir ..Tchau.

Caminhando pela vila,Tenório se encontra com Dolores.Quem promoveu toda confusão na missa de ontem.Mas Tenório é um rapaz muito estrovertido e não leva nada a sério.

TENÓRIO: Bom dia dona Dolores.Como passou a noite?Já sei! Como sempre ficou sozinha em cima de uma cama sonhando com o impossível.

DOLORES: Não tens vergonha?Seu descarado.

TENÓRIO: Tá bom amiga,vou seguir meu caminho,porque tenho que me confessar com o padre Chico.Fui.

DOLORES: Vá vergonha ambulante…(olha para trás )Mas o que será que tanto esse zinho tem pra confessar com o padre.Estranho!Vira  e mexe tá la na igreja se confessando.

Dolores como gosta de se envolver com tudo, foi novamente até a casa de Santa para lhe contar sobre Tenório.

NA  FAZENDA

Zenaide e a filha Promessa, conversam sobre o nervosismo que o pai expressa.

ZENAIDE: Seu pai hoje está num nervo de dar medo.

PROMESSA: Porque será mamãe?

ZENAIDE: Desde de ontem a noite ele tá assim,mal dormiu  e se levantou  de madrugadinha  e começou a andar pela casa.

PROMESSA: Espero que não seja nada relativo a ideia de me casar com um estranho!

ZENAIDE: Se for minha filha,não o afronte,por favor.Do jeito que ele está ,não sei do que  será capaz.

PROMESSA: Se esse assunto que ele mesmo começou o deixa assim,ficará muito mais agitado se continuar com ele.Se ele pensa que eu me casarei com esse noivo arranjado por ele ,pode ter certeza mamãe,haverá muitas agitações dentro dessa casa.Muitas madrugadas  acordado.Mas me casar nessas condições eu não caso.Não caso.

Dorico,está lá na varanda e chama por Tiãozinho.

DORICO: Tiãozinho!Venha aqui seu traste.

TIÃOZINHO: Pois não senhor.

DORICO: Quero falar com você e o Renato,chame ele e venham os dois aqui agora.E rápido moleque.

TIÃOZINHO: Sim senhor,vou  agora mesmo.

NO SÌTIO DE RAUL

Raul se apegou muito aos seus animais.E entre eles destaca-se o seu cão Barão.Dentre todos os cães,Barão, é o que Raul tem maior estima.

RAUL: Barão,venha cá meu amigo.Deita aqui nos meus pés companheiro.Conto com você amigão na hora que alguém tentar entrar em nosso quintal.Coisa que você sabe muito bem é me proteger,sou muito grato a ti.

Raul se apoia muito em seus animais,pois são os únicos que tem contato direto com ele.Raul toda noite deixa seus cães soltos dentro do quintal de sua casa ,afim de impedir a entrada de qualquer intuso,inclusive Barão ,por ser maior e mais destemido.

NA  FAZENDA

Renato e Tiãozinho vão atender o chamado do patrão.

( os dois na parte de fora aos pés da escada da varanda)

RENATO:O senhor mandou me chamar patrão?

DORICO: Mandei sim .(com o chapéu na mão)

TIÃOZINHO:E o que o senhor quer de nós seu Dorico?

DORICO: Eu quero saber dos dois :quem é que foi que tirou a gasolina daquele tonel que fica lá no paiol e colocou água no lugar.

RENATO: Quem tirou foi eu patrão ,mas, quem mandou colocar água foi o senhor mesmo.

DORICO: Como assim eu mandei colocar água?

TIÃOZINHO: É patrão,o senhor emprestou a gasolina que tinha lá dentro pro vizinho,e mandou o Renato colocar água no lugar para o tonel  ficar pesado e não ficar aqui e ali dentro do paiol  .

RENATO: É isso mesmo seu Dorico,se lembra agora?

DORICOLcoloca o chapéu na cabeça e senta)É mesmo ,me lembrei agora.Tá bom pode ir os dois.

RENATO:Mas ,afinal o que o senhor quer fazer com gasolina patrão?

DORICO: Nada que seja da sua conta.Pode ir e  voltar pro serviço os dois.(se levanta )

Os dois voltaram para suas obrigações ,e seu Dorico ficou em sua varando falando pra seus botões.

DORICO: Que falta me faz o Tiburcio,nele eu confiava inteiramente.Todas as  noite eu sonho estar vendo ele chegando montado em seu cavalo,pedindo pra ficar.E ele pode voltar pois aqui terá abrigo,além de me prestar seus valiosos serviços.Mas, de uma coisa tenho certeza aquele sítio será meu nem que seja a custa de mais sangue.

Enquanto falava baixinho sua esposa Zenaide chega e o questiona.

ZENAIDE:O que está falando  sozinho aí,Dorico?

DORICO: Nada mulher,é coisa minha.

ZENAIDE:O que está acontecendo com você meu marido?Anda tão agitado,não dormiu bem durante a noite passada.

DORICO: Já disse que é coisa minha,não se preocupe e vá cuidar de suas obrigações.(e entra para dentro da casa com o chapéu na mão)

NA  VILA|

Dolores chega na casa de Santa.

SANTA: Uai,não foi à igreja?

DOLORES: Sim,mas o padre ainda estava dormindo…Mas ao voltar encontrei aquele depravado indo se confessar,outra vez..

SANTA: Mas que tanto ele se confessa?Estranho.

Dolores e Santa vivem afim de saberem o teor  das confissões dos fiéis,tentarão bolar um plano para isso.Veremos no que vai dar.

CONTINUA…………………..

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