A Dama Negra 2ª T – Nocturna V – As Aparências enganam.

A Dama Negra 2ª T – Nocturna V – As Aparências enganam.

Nocturna V

As Aparências enganam.

Bernard ainda repassava a cena em sua cabeça enquanto dirigia. Ele não enxergara nada, era fato, não havia como qualquer humano, carniçal ou mesmo vampiro enxergar dentro do véu de sombras de um sombrio. Aquele era poderoso, mas não era experiente, o carniçal podia dizer. Se aquele vampiro tivesse mesmo experiência com aquele poder, certamente teria usado suas sombras para eliminá-lo o empalando, sufocando ou esmagando, no mínimo. E um vampiro com aquelas características juntas… Só podia ser o Salvatore.

Respirou fundo. Ele agora tinha certeza da identidade de seu alvo e que estava com algum aliado também vampiro. Um elementis de água, mas que talvez não soubesse moldá-la em gelo ou tivesse controle sobre sangue. Iria investigar para descobrir quem era aquele aliado, talvez assim achasse o refúgio atual de Gianni também.

Balançou a cabeça para afastar os pensamentos. Refletir era necessário para uma análise, mas no momento era mais importante ter seu foco na outra parte da missão. Dirigiu até próximo ao local e deixou sua moto escondida em um beco escuro. Tirou o capacete e puxou a gola da blusa para esconder a parte inferior do rosto, enquanto cobria a cabeça com o capuz do casaco.

Depois de pronto, o carniçal observou o lado de fora do beco e se misturou às pessoas que transitavam pela rua. Andando de forma casual, pegou o telefone e ligou para seu cúmplice.

– Já estou aqui, inicie a operação.

No interior da Catedral, Padre Davi conversava com os fiéis quando o arcebispo Dom Bartolomeu se aproximou, deixou algumas instruções e se dirigiu a sacristia para aguardar o padre terminar suas funções.

Do outro lado da linha, o vampiro sorriu olhando para a catedral. Odiava aquele lugar maldito, aquele antro de tolos cegos que não viam que eram usados por uma organização tão criminosa quanto qualquer outra. Os humanos era mesmo todos uns desesperados em busca de algo que desse sentido às suas vidas inúteis.

Cuspiu no chão e olhou para seus companheiros que aguardavam ansiosos. Estavam todos prontos para retaliarem aquele ninho de hipócritas.

– Sinal verde, galera. Hora de botar pra quebrar. – Guardou o celular e seguiu na frente.

Acenou para a mulher humana com eles e ela foi à frente. Já era tarde da noite, então não havia muitos fiéis presentes. Os coroinhas bocejavam enquanto começavam a arrumar tudo para fecharem a catedral, o padre presente conversava com um dos últimos fiéis que já retornavam para casa. Ela se aproximou fingindo uma expressão angustiada e chamou a atenção dele.

– Sua benção, padre.

– Deus lhe abençoe, irmã.

– Eu gostaria de me confessar, padre – juntou as mãos fingindo um olhar arrependido.

O homem hesitou por um momento já que estavam prestes a fechar as portas, mas não poderia expulsar aquela mulher que estava precisando de ajuda.

– Pois bem, irmã – o Padre Davi tocou as costas dela e gesticulou com outra mão para o confessionário – Vamos aliviar este coração aflito.

Assim que ambos entraram no confessionário, o grupo começou a agir. Com capuzes nas cabeças e os rostos cobertos, eles entraram apontando as armas para espantar as últimas pessoas, que saíram correndo ao ver o grupo armado. O líder apontou a arma para o coroinha mais próximo, que ergueu as mãos em rendição.

– Nada de gracinhas. Você e seus amigos, comecem a pegar tudo de valor ou vão virar queijo suíço.

Com aqueles estranhos apontando as armas para eles, os coroinhas não tiveram escolha a não ser obedecerem. Depois de algum tempo o padre notou que havia algo errado, pediu licença à mulher e saiu do confessionário, vendo aquela cena.

– Mas o que, em nome de Deus…?

O líder mirou a arma para o padre Davi e apontou o banco com a cabeça.

– Senta aí e cala a boca.

O humano ergueu as mãos e obedeceu enquanto sentava-se no banco.

– Deveria ter respeito com a casa de Deus.

– E você deveria calar a boca antes que eu estoure seus miolos, padreco.

Com um suspiro, o padre se calou e só pode assistir frustrado enquanto os coroinhas terminavam de entregar o que foi pedido. Um dos homens ordenou que eles fossem para o canto e os jovens obedeceram enquanto os bandidos saíam levando as coisas.

O padre Davi se levantou para se juntar aos outros, mas antes de sair do lugar, olhou o bandido que lhe apontava a arma.

– Tenha certeza que mesmo assim o Senhor te ama e perdoa os seus pecados.

O bandido semicerrou os olhos.

– O quanto você ama o seu Deus, padre?

– Mais do que tudo – o religioso respondeu prontamente.

– Então, vamos ver se merece ficar ao Seu lado.

O líder mirou a arma e atirou, acertando o abdômen do outro. O padre gritou com a dor e caiu sobre o banco, o sangue manchando a madeira. Depois do tiro, os últimos bandidos recuaram e fugiram dali. Os coroinhas foram até o homem baleado e tentaram socorrer e estancar o sangue, um deles correu para ligar para a emergência e outro correu até a sacristia, onde o arcebispo conversava com a irmã Clarence.

– Senhor, por favor, nos ajude! – implorou nervoso – Nos roubaram e atiraram no padre Davi!

O arcebispo estranhou e interrompeu a conversa com a freira, levantando de sua cadeira caminhou até a porta, ao abrir deparou com o jovem coroinha sujo de sangue em desespero.

– Por Cristo, o que está acontecendo? – Olhou para fora e se apressou indo em direção à nave.

– Deus! – Irmã Clarence o seguiu, nervosa.

Ao chegarem depararam com tudo bagunçado no altar e o padre Davi caído e sangrando.

– Padre Davi, aguente. – Apontou para a freira pedindo que fizesse a chamada para a polícia e depois para o socorro. – Padre Davi, não se esforce, logo chegará ajuda.

Bernard aguardava escondido nas sombras do lado de fora da sala quando ouviu o tiro. Havia esgueirado-se pelos fundos, do lado de fora, e agachara-se debaixo da janela, encostado na parede. Assim que o arcebispo e a freira saíram do cômodo, o carniçal abriu a janela silenciosamente e entrou por ela.

Olhou ao redor em busca do que procurava e não encontrou, o arcebispo não seria idiota de deixar algo tão valioso à vista. Seus olhos seguiram até a escrivaninha e ele se aproximou, sentou-se na cadeira e começou a vasculhar as gavetas em busca da peça chave daquela trama toda, até encontrar uma delas trancada.

Tirou uma pequena bolsa negra do bolso e agachou-se diante da gaveta, então a abriu revelando um conjunto de gazuas, usando-as com cuidado para abrir aquela tranca. Assim que ouviu o clique, puxou a gaveta e olhou dentro. Deu um sorriso satisfeito por debaixo do tecido que lhe cobria a face ao ver a pequena caixa.

Pegou o objeto e verificou seu conteúdo antes de esconder nas vestes e fechar a gaveta suavemente. Guardou o conjunto de gazuas e olhou ao redor. A lareira não seria o suficiente para forjar um incêndio, mas… Olhou as velas acesas espalhadas pela sala. Uma janela aberta, vento forte e velas acesas, um acidente plausível. Caminhou até elas e derrubou uma por uma, seguindo a direção que o vento sopraria. Apenas quando o fogo começou a se espalhar Bernard sentiu-se satisfeito e saiu de volta pela janela antes que o arcebispo voltasse ao notar o fogo queimando em seu precioso escritório.

Dom Bartolomeu estava ajudando o padre enquanto a freira ligava para o 911 e relatava o que tinha acontecido, quando sentiu cheiro de algo queimando. Alarmado, olhou para a direção da sacristia e levantou ordenando que os coroinhas ficassem ali ajudando o padre. Correu apressado para o local, quando se aproximou viu a fumaça começar a ficar mais densa.

Pegou uma toalha, molhou na bacia de mármore ao lado do altar e colocou sobre a boca indo pelo corredor a sacristia, ao abrir a porta assustou-se com as labaredas intensas do fogo. O arcebispo olhou para a mesa e nervoso entrou no local, precisava salvar aquele objeto com urgência, afinal era a garantia que eles tinham de tirar a vampira Bragatti de Roma.

Quando conseguiu chegar na escrivaninha, pegou a chaves do bolso e abriu. Arregalou os olhos ao notar que não estava onde guardara, as chamas já tomavam todo o lugar e o arcebispo se viu cercado por elas. Ainda com a toalha foi até a janela e abriu-a olhando pelo parapeito e ao redor buscando uma rota de fuga das chamas. O desespero começou a percorrer pelo corpo assim como as chamas que alcançaram suas vestes subindo pela lateral da batina. Começou a bater para apagar o fogo, naquele mesmo instante ouviu as sirenes dos caminhões de bombeiro. Voltou para a janela e mesmo com a veste queimando, arrancou do corpo e subiu sentando no batente da mesma. Sua perna doía muito, estava queimada e assim ele pulou para fora caindo de uma altura de um metro e meio na calçada e rolou sentindo o ferimento.

As pessoas que estava de longe olhando assustadas começaram a juntar perto do arcebispo e alguns chamaram os guardas, logo depois a ambulância chegou. Os bombeiros entraram na parte de trás onde as chamas haviam se alastrado pelos fundos da catedral e começaram o combate ao incêndio.

Horas depois…

O albino olhava o noticiário. Uma lástima que o arcebispo não tivesse morrido com o fogo. Talvez fosse mais seguro se houvesse o eliminado de uma vez. Um vampiro servo de Bragatti parou ao seu lado e o fitou como se esperasse alguma ordem.

– Elimine aqueles marginais que nos ajudaram hoje, não quero que cheguem até nós. Faça com que pareça guerra de gangues.

– Sim, senhor – o vampiro fez um aceno com a cabeça e olhou o noticiário, voltando a falar após um tempo – E o que faremos com o arcebispo?

– Deixe que eu cuido desse problema.

No hospital geral da cidade, Gianni entrou passando pela recepção. Olhou em volta para ver onde estava irmã Maria, logo atrás dele apareceram Lya e Willian. O vampiro controlador das águas andou até ele e apontou o corredor onde era permitido ficar acompanhantes.

– Ela deve estar com a outra freira buscando notícias do arcebispo, vamos até lá… – Will seguiu à frente deles.

– Gianni… – Ela andou ao seu lado notando apreensão dele. – Melhor levar a freira daqui, possivelmente quem atacou o arcebispo virá atrás dela. – Lya olhava no canto dos olhos e depois em volta, estremeceu ao notar a quantidade de espíritos que vagavam por aquele lugar.

Lya mantinha seus poderes adormecidos justamente por não gostar de ver aquelas almas atormentadas que ficava agonizando. E o hospital era repleto delas, sofridas e desesperadas acreditando que ainda estavam vivas. Humanos eram tão irritantes como vivos e quanto mortos, Lya passou por aquelas alma fingindo que não as ver, afinal se soubessem que estavam sendo vistas por ela a seguiriam querendo ajuda e seria o verdadeiro inferno se livrar de tantas.

– Detesto hospitais… – murmurou baixo ao ver Will encontrar a freira. – Finalmente…

– Irmã Maria… – Mal falou com ela e Will a viu saltar do banco aos prantos e correr para Gianni. – Gianni… veio… – Não terminou a frase e olhou Lya.

Irmã Maria ao ver que Gianni chegava, ficou sem palavras e levantou não dando mais atenção a irmã Clarence e Willian, ignorou tudo e todos e correu para os braços dele se agarrando desesperada e aos prantos. Não notou a presença de Lya e afundou o rosto no peito do amigo vampiro choramingando aos soluços.

Gianni abraçou-a e afagou sua cabeça protegida pela vestes de freira, ficou ali esperando ela se acalmar, olhou Willian e depois a outra freia.

Irmã Clarence estava boquiaberta ao ver quem a sua amiga estava abraçando daquela forma desesperada, levantou e caminhou até eles ainda sem acreditar no que via.

– Padre Salvatore… – Sua voz saia falha de tão surpresa que estava. – Vivo… Por Cristo, está vivo… – Levou a mão aos lábios e seus olhos encheram de lágrimas.

– Irmã Clarence… Sinto por não dizer antes, porém foi necessário manter-me longe. – Explicou-se a irmã que outrora conhecia de visitas a Roma. Engoliu seco e olhou para a jovem freira em seus braços. – Irmã Maria, está se sentindo bem? Quando soube o que tinha acontecido vim o mais rápido que pude.

Irmã Maria se afastou um pouco trêmula e ainda chorosa levantou o rosto para olhá-lo, inspirou leve com uma expressão de alívio ao ver o amigo ali consigo. Ela balançou a cabeça confirmando que estava melhor quando notou a presença de Lya, estremeceu assustada e se afastou de Gianni um tanto preocupada com a reação da vampira.

Lya olhava toda a cena um tanto sem emoção, estava apenas observando a reação de todos, quando foi notada pela freira sorriu gentil e virou o rosto para Gianni, não era muito para aquele outro entender o olhar dela. Lya questionava a postura deles e mesmo sem palavras o outro podia sentir que a bela vampira estava irritada.

– Ela está bem ao que me parece. – Virou-se delicadamente para Willian falando. – Melhor vermos o arcebispo.

Willian estava um tanto tenso, a reação exagerada da freira atiçou a vampira e ele sabia bem o quanto uma vampira enciumada era capaz de ser cruel, porém ficou surpreso por Lya não falar nada e concordou sobre eles verem o arcebispo.

Gianni olhou-os se afastarem e pediu licença as freiras indo até Lya e segurou em seu braço.

– Espere… – Parou-a.

Lya não olhou para ele e somente falou em tom calmo e até gentil para seu amado vampiro.

– Descubra com as freiras o que roubaram da catedral, vamos ver se o arcebispo está melhor. – Virou o rosto a ele. – Vá, deixe que eu e Sr Willian descobrimos com o arcebispo o que de fato aconteceu.

Gianni soltou o braço dela e concordou, porém ficou ainda preocupado com a reação de Lya, claro que não era o que estava pensando, no entanto não desejava que ela ficasse magoada. Passou a mão nos cabelos e voltou-se para falar com as freiras.

Lya caminhou pelo corredor sendo acompanhada por Willian, ele por sua vez preferiu não falar nada, era uma sangue puro e se ficasse irritada poderia ser um tanto desastroso para aquele lugar. Quando finalmente chegaram à porta da enfermaria sentiram cheiro de sangue e ambos se prepararam para um possível ataque.

A vampira foi a primeira a entrar apesar de Willian ter feito menção de ir à frente, naquele momento se deparam com o local vazio e perto da cama uma enfermeira estava de pé imóvel olhando o nada. Ambos vampiros olharam em volta e Lya se aproximou da enfermeira analisando-a.

– Dom Bartolomeu de Bragança e Catilia… – Virou-se para o lado oposto da maca e olhou-o sentado em uma poltrona de acompanhante da enfermaria.

O ser sentado na poltrona limpava o canto dos lábios com uma toalha de papel e em sua pose elegante de pernas cruzadas fitou ambos os vampiros, deu um leve sorriso no canto dos lábios e por fim apoiou o cotovelo no braço da poltrona ainda fitando ambos.

– Arcebispo Dom Bartolomeu, prefiro assim… – Inclinou a cabeça curioso para Lya. – Lya Frantini Merelin, ou devo dizer melhor Dama Negra, sinto-me honrado com sua visita. – O arcebispo mantinha a pose superior a ela. – Então, ainda não tivemos o prazer de sermos apresentados apesar de sabermos exatamente quem somos, certo?

Lya olhou para Willian que ficou perto da porta e depois para a enfermeira que tinha os pulsos com ataduras para estancar o sangue.

– Precisa fechar isso… – Caminhou suave até ele e parou perto da maca. – Realmente, não fomos apresentados, porém aqui estamos no hospital e, claro, preocupada com sua saúde, mas ao que parece deixa ser levado para cá, foi uma boa estratégia.

– Sim, melhor lugar para se repor a energias, um banco de sangue no final do corredor e belas enfermeiras para nos servir, ops… Cuidar. – Deu um breve sorriso e levantou, estava com os trajes do hospital e foi até a enfermeira. Com cuidado pegou os braços dela, retirou as ataduras e levou cada pulso a seus lábios, lambeu cicatrizando-os em seguida. – Diga-me o que veio fazer além de saber de minha saúde, creio que sua curiosidade não chegaria a tanto se não fosse tão importante, sair de seu refúgio e entrar em um local como esse?

– Realmente, além do seu bem estar queremos saber sobre a tal caixa, que segundo irmã Maria é o motivo de ambos estarem sendo perseguidos.

– Irmã Maria? Como vocês… – Olhou o vampiro que acompanhava Lya, intrigado. – Onde ela está? Fizeram algo a ela? – Andou até Lya um tanto irritado. – Diga-me.

– Quem deveria responder perguntas aqui seria o senhor, mas ela está lá fora no corredor com a irmã Clarence. – Virou o rosto para a porta e fez um sinal para Willian se afastar, dando passagem ao outro vampiro. – Ela veio até nós em busca de ajuda e aqui estamos.

Dom Bartolomeu olhava ambos um tanto tenso e desconfiado, chegou até a porta da enfermaria e abriu-a farejando discretamente pelo corredor. Pode sentir o aroma de vários humanos, porém reconhecia da irmã Clarence e de irmã Maria. Quando pensou em voltar para dentro da enfermaria sentiu o odor de outro vampiro e alarmou-se.

– Há outro lá fora, está com ambos? – Virou-se para eles.

– O outro vampiro está conosco e elas estão seguras com ele, não se preocupe. – Lya andou até o arcebispo e olhou-o questionadora, queria respostas.

– Preciso sair desse lugar, porém não posso deixar que desconfiem afinal dei entrada com uma queimadura na perna.

Willian foi até a porta e abriu, saiu pelo corredor e chamou Gianni junto com as freiras.

– Srta Lya, penso que esteja nessa empreitada por engano, não é de seu interesse envolver-se com assuntos da Igreja, afinal sei que mantém distância de tudo que envolve Roma. Sugiro que não questione muito e siga seu caminho. – O vampiro andou pelo lugar a procura de roupas mais adequadas, no entanto só havia aquelas túnicas de hospital.

Quando Lya ia insistir, a porta da enfermaria se abriu e Gianni entrou junto com as freiras, ela olhou o arcebispo que parecia assombrado com a presença dele.

– Vivo…? Está vivo? – Andou até Gianni e olhou-o de cima a baixo. – É o odor do vampiro que senti no corredor, espere… – Dom Bartolomeu apontou para ele e depois para as freiras, sua mão pousou sobre a boca e ficou rindo baixo ainda sem acreditar. – Perfeito…

– Arcebispo Dom Bartolomeu, presumo.

– Nossa, todos muito impressionados por Gianni estar vivo… – Lya olhou-os intrigada. – Isso leva-me a questionamentos.

Gianni estava ficando cada vez mais interessado no arcebispo e ao analisá-lo percebeu que ele não era humano, ficou tenso ao constatar que aquele ser de cargo maior na Santa Igreja era vampiro.

– Como pode, ser…

– Vampiro? – Sorriu – Creio em Deus e escolhi esse caminho, afinal não é a fé que nos guia?

– Mas… Um vampiro, não teria como… Ou teria? – Olhou para as freiras e depois para o arcebispo.

Irmã Maria ao ouvir Gianni falar que o arcebispo era um vampiro levou a mão a boca totalmente surpresa e assustada com tal revelação, olhou para irmã Clarence que se aproximou e apoiou-a colocando a mão sobre o ombro da jovem freira.

– Imagino o tamanho do susto, mas acima de tudo ele é um ser de fé e sempre fez de tudo pela santa igreja e os fiéis… – irmã Clarence olhava o vampiro arcebispo com admiração. – Vamos irmã, irei explicar tudo com calma, porém deixemos isso para um momento mais ameno.

– Eu estou surpresa. – olhava o arcebispo e depois a irmã ainda atônica com aquela revelação. – Eu vou confiar na irmã.

Dom Bartolomeu sorriu para elas e depois olhou para Gianni respondendo sua pergunta.

– Caro padre Salvatore, não vejo porquê não poderíamos seguir a fé e servir a Deus. Se acreditamos, por que não? – Voltou o rosto para as freiras e depois para ele. – Eu achei que nessa noite havia perdido meu maior trunfo, no entanto é de fato verdade que quando se fecha uma porta Deus abre uma janela. – Satisfeito o arcebispo voltou para sua cama, deitou-se e estalou os dedos para a enfermeira.

A jovem piscou os olhos várias vezes e olhou todos no lugar, fez uma expressão um tanto severa com eles.

– Não deveriam estar todos ao mesmo tempo na enfermaria. Por favor, voltem para o corredor. – Ela apontou a saída para eles, praticamente expulsando todos.

– Enfermeira, poderia vir até aqui? – Dom Bartolomeu esperou ela se aproximar.

A enfermeira se aproximou e baixou a cabeça e fez que sim com a mesma, olhou para Gianni e concordou novamente. Afastou-se da maca e foi até ele, apontando para o outro ficar na enfermaria e voltou a expulsar os demais para o corredor.

Na enfermaria, após estarem ambos a sós, Dom Bartolomeu convidou Gianni a sentar-se na poltrona ao lado da cama. Ele estava analisando cada movimento do outro homem e logo que o recém vampiro sentou-se foi enchendo o arcebispo de perguntas, principalmente referente a ele ser um membro do alto clero da igreja.

– Eu ainda não consigo crer, é surreal demais! – Gianni olhava-o intrigado – Como? Os demais sabem? Os caçadores sabem? Como conseguiu se tornar arcebispo?

Dom Bartolomeu inspirou fundo e sentou-se na cama de frente a Gianni.

– Padre Salvatore, o que você acredita que seja a verdadeira vocação? Afinal de contas somos da mesma genética que os humanos… Evoluídos, sim, somos, conseguimos conjurar dons que os humanos nem sonham, porém temos essa anomalia da evolução que nos acarretou uma deficiência de hemoglobina que causa essa sede enorme pelo sangue e os humanos passaram a ser nosso alimento. – Ele fez uma pausa e fitou uns segundos antes de continuar. – Entenda, há muitos vampiros que deseja viver nesse mundo e usufruir do mesmo privilégio dos humanos e isso inclui partilhar das mesmas crenças. – Inspirou baixo. – Eu vim de uma família pequena da Espanha, Toledo mais precisamente, e fomos criados crendo em Deus e Jesus Cristo. O desejo de servir a esse humano foi o passo que me trouxe a Roma. E quanto a alguém saber ou os caçadores do Vaticano, não sabem. – Ajeitou a manta e continuou. – Somente três humanos dentro da igreja sabem, Dom Emanuel, irmã Clarence e padre Davi… Agora irmã Maria e você meu caro “Senhor”.

Gianni ouvia-o atento e por vezes ficava pensativo quanto à resposta do arcebispo, encostou-se na poltrona disposto a ouvir tudo que aquele vampiro tinha a dizer.

– E agora está sendo caçado por conta de uma caixa. Aliás, a irmã Maria está em perigo pelo que entendi. – Ele o questionou.

– Realmente, estávamos sendo perseguidos por conta da caixa que a irmã Maria trouxe para mim de Roma, encaminhada por Dom Emanuel. – Fez outra pausa para analisar a reações de Giannim que ao seu entender estavam ficando apreensivas. – Padre Salvatore…

– Gianni, por favor…- Ele o interrompeu. – Abdiquei do meu sacerdócio há algum tempo, peço que não me chame de padre. – Gianni estava apresentando irritação com aquela insistência do arcebispo em chamá-lo de padre. – Continue, quero saber mais, afinal na noite passada um amigo de Sr Botan foi morto por estar investigando o meu passado e agora esse ataque a arquidiocese e ao arcebispo, quero descobrir o que está acontecendo.

– Muito bem, Gianni, entendo sua preocupação. Aliás, deve se preocupar realmente, afinal de conta tu és um Salvatore e… – Parou de falar gerando um breve suspense. – O primogênito sangue puro do Clã e futuro Regente de Roma. – Esperou pela reação aquela revelação.

Gianni ouviu aquelas palavras e de primeiro momento se afastou do encosto da poltrona e olhou-o sério, por fim esboçou um sorriso incrédulo ao que o arcebispo dizia, negou com a cabeça veemente.

– Loucura… Creio eu que o arcebispo não está falando coisa com coisa, sempre fui humano, nunca fui vampiro…

– Quem lhe garante? – Fez uma breve pausa e continuou. – Gianni, tu és o primogênito, a vossa mãe sacrificou sua eternidade para lhe colocar são e salvo daquela que hoje é atual Regente de Roma. Isabella Bragatti arquitetou e atacou sua família junto com o seu tio, aniquilou os Salvatores e tomou posse da Regência de Roma. – Aproximou mais dele e sério completou. – Eu sei disso porque estava lá, fui eu quem após sua transformação em bebê humano o levou para Florença e entregou ao seu pai e mãe humano.

Gianni abriu os olhos assustado com aquelas palavras e lembrou dos relatórios que lhe foram entregues por Willian, onde diziam que ele poderia não ser filho legítimo dos seus pais. Arfou baixo e encostou novamente ainda mais aterrorizado com aquelas palavras, ficou atordoada e cenas do seu passado vieram à mente. Lembrou de imediato de uma fuga na floresta, estava nos braços de uma mulher de cabelos negros que vinha sendo protegida por outro homem.

– Havia uma colina… Estava com medo e toda vez que eu levantava o rosto para olhar o daquela mulher que me carregava nos braços, sentia o terror que aquela fuga nos dava. – Gianni começou a relatar do seu sonho que vez ou outra volta atormentá-lo. – Ela estava desesperada e… – Virou o rosto para Bartolomeu. – Era você… Estava ajudando-a…

– Suas lembranças voltarão aos poucos, assim como seus poderes. És um sombrio e de segunda geração, sangue puro primogênito, e eu sou o servo que jurou diante de Lorenza Salvatore que iria proteger a sua cria do mal que era Bragatti. – Ele fez nova pausa para esperar que o vampiro a sua frente absorvesse toda aquela informação.

Gianni ficou estático tentando puxar na mente todos os detalhes daquele sonho, que agora vinha a descobrir que nada mais era que suas lembranças do passado voltando à tona. Depois de uns minutos ele se afastou de novo do encosto da poltrona, passou as duas mãos no rosto e ofegou nervoso com tudo que ouviu.

– Eu sei que é muita informação para absorver de uma vez, acredite, se não fosse o fato de ter se envolvido com Lya Merelin, talvez ainda estivesse seguro como humano e vivido sua vida de sacerdote até o fim de sua vida humana. – Cerrou os olhos intrigado. – Aliás, todos esses ataques que relatou e o que vem atrás de mim e da irmã Maria são justamente os emissários de Bragatti, ela teme perder seu “reinado” em Roma e está obcecada em lhe destruir, vai calar quem quer que seja que possa provar diante do vampiro Rei que você é o verdadeiro regente de Roma.

Gianni ainda estava atordoado com todas aquelas informações, olhava o arcebispo vampiro um tanto confuso e voltou a passar a mão no rosto, nervoso. Ficou assim um tempo até que se levantou de súbito e andou pela enfermaria com uma expressão irritada.

– Está me falando que pessoas estão sendo mortas para que eu não reivindique a Regência de Roma diante do Vampiro Rei?

– Resumindo tudo, sim.

– Não… Eu não posso permitir que pessoas morram por minha causa. – Ele andou até a porta da enfermaria e abriu-a. – Vou descobrir quem está vindo atacar e parar isso antes que mais inocentes morram.

– Gianni, meu senhor, espere… – Dom Bartolomeu levantou e foi até ele. – Eu acreditava que estava morto e a caixa que roubaram continha provas de que é um Salvatore e sua família por direito tem a Regência de Roma, agora que essa caixa sumiu, não há como falar com vampiro Rei.

– Eu não ligo para Regência de Roma, se for o caso falarei com essa vampira e direi que ela pode ficar despreocupada não irei lutar por isso, quero que ela pare os ataques e de matar inocentes.

– Meu senhor és jovem e tolo, se for até Bragatti, será morto… Ela jurou matar todos os Salvatores e não irá permitir que saia vivo da presença dela. – Tocou o ombro de Gianni. – Não cometa essa loucura, se for até ela é o mesmo que se jogar na boca de leões famintos, ela não terá piedade em devorar seu coração.

Gianni ficou tenso e a preocupação aumentou com aquelas palavras assustadoras do arcebispo. No entanto, ele precisava impedi-la de matar a todos que sabiam da existência dele ser um sangue puro. Coisa, aliás, que ele mesmo ainda não conseguia acreditar, era como se estivesse em um sonho e ficasse vendo a cena toda hora como replay na sua frente.

– O que sugere que eu faça? Fique parado vendo todos morrerem para encobrir que sou um sangue puro? E pior, que achem que quero destronar uma vampira louca que manda assassinar a torto e a direito quem quer que seja. -Fitou-o tenso.

– Entendo sua preocupação, porém a sua existência tem enorme valor para Roma. Não queremos que se perca e que consigam assassiná-lo. Minha existência sempre foi servir Nicollas Salvatore e Lorenza Salvatore… Agora sirvo a ti, Gianni Salvatore, e meu dever é cumprir a promessa a meus senhores de guardar por sua existência de forma que a Regente não o descubra. Infelizmente falhei nessa questão, ela deve saber que estás vivo e deverá caçá-lo até conseguir eliminar o último membro dos Salvatores.

Gianni ofegou zonzo com tanta informação e mesmo que o outro repetisse diversas vezes que ele era o primogênito do clã, ainda assim em sua mente vinham lembranças de sua vida como humano, a infância e depois a adolescência. O desejo de servir a igreja e se tornar um homem de Deus, ser padre. Todas aquelas informações pesavam como chumbo na cabeça do ex-humano e ele se apoiou na parede da enfermaria voltando a passar a mão sobre o rosto.

Resmungou algo em italiano e tudo a sua frente ficou escuro, antes de apagar chegou a ouvir a voz nervosa do arcebispo tentando lhe ajudar, chamando por alguém.

Continua….

Colaboração e Revisão

Fabiana Prieto

Música Tema Tarja - Pie Jesu

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A Dama Negra 

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Curiosidades de Nova Yorque

A maior catedral dos Estados Unidos, a  Saint Patrick’s Cathedral, em Nova York. A igreja se tornou o principal templo católico de Nova York nos últimos anos e sua arquitetura gótica atrai milhares de turistas a todo tempo. Ela fica numa região turística de Manhattan, bem perto do Rockefller Center, sendo impossível não notá-la. Suas  grandes torres se destacam no meio dos prédios comercias modernos que cercam a igreja, remontando quando foi construída em 1978. A igreja  Saint Patrick’s Cathedral em Nova York sempre preservou sua identidade inicial e seu estilo gótico, mesmo com as várias reformas, e por isso é hoje um importante ponto turístico da cidade.

Logo na entrada da Saint Patrick’s Cathedral já é possível ver a grandeza dos portões, que pesam mais de 8 toneladas. Os seus mais de 70 vitrais coloridos se destacam das suas paredes escuras, criando um cenário bem diferenciado. O altar da catedral é bem bonito, com muitos painéis e um quadro de Nossa Senhora de Guadalupe, além de uma relíquia de Santa Terezinha. Mais ao fundo da igreja tem um busto do Papa João Paulo II como agradecimento à visita que ele fez à Nova York em 1979. Mas a grande escultura da Virgem Maria é um dos pontos altos da visita, localizada ao lado da Lady Chapel (uma capela anexa, somente da Virgem). A Saint Patrick’s Cathedral é um lugar bem bonito para conhecer em Nova York, além de ser gratuito, e é bom passar por lá quando for conhecer outras atrações próximas como o Rockfeller Center ou as incríveis lojas de Nova York na Quinta Avenida.

Informações Igreja Saint Patrick’s Cathedral em Nova York

Horários: Das 7h ás 21h

Missas: 7h, 8h, 12h, 13h e 17h, mas depende do dia.

Endereço: 5th Ave, New York, NY 10022

 

 

Isa Miranda

Amo escrever, por isso sou aquilo que escrevo, são as palavras que me dão poder e nelas me torno única. 

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