A Dama Negra – 2ª T – Nocturna II – Por que esconde a verdade?

A Dama Negra – 2ª T – Nocturna II – Por que esconde a verdade?

Nocturna II 

Por que esconde a verdade?

O momento era decisivo para ambos,

no entanto a vampira recuou e se calou,

deixando o seu afeto ainda mais intrigado.

O ex- humano atravessou aquela sala em passadas largas, estava tremendamente irritado e bufava algo em italiano quando passou por todos que ali estavam. A vampira apareceu na porta que levava a sala de estar, estava agitada e olhava-o partir novamente.

– Gianni! – Chamou ofegante. – Gianni, por favor não parta… – Pediu com os olhos lacrimejantes.

Gianni parou no meio do percurso de costas para ela e inspirou fundo. Não entendia aquele silêncio, o que ela tanto lhe escondia?

– Eu lhe peço algo tão simples e, ao invés de contar-me, se cala! – Continuou a andar na direção da porta.

Lya sentiu o desespero lhe alcançar de tal forma que as palavras saíram sem pensar.

– Eu posso lhe transformar em humano! – Ela andou até ele.

– O que?! – Gianni parou dando uns passos de lado, olhando para ela intrigado. – Como?

Os dois estavam sendo observados pelo grupo formado por Willian, Greg, Michael, Rice e Vincenzo que saíra do escritório ao ouvir aquela pequena confusão na sala. Quando Lya falou sobre aquela possibilidade, de imediato os seus servos negaram. Vincenzo foi até ela e a segurou pelo braço já na esperança de fazê-la desistir da ideia e voltar para o seu quarto.

– NÃO!!! – Rice foi até ela passando afoita por todos e olhando a vampira com desespero. – Não, por favor, não faça isso.

Michael andou até ela e parou curvando-se.

– Lya, não faça isso, Rodney perdeu sua existência para lhe salvar. – O vampiro havia planejado contar a Lya quando estivesse melhor sobre o sacrifício do seu protetor, porém diante daquela loucura falou sem conter-se. – Ele se foi… – Levantou o rosto fitando-a em súplica.

A puro baixou o olhar ao seu servo e sua expressão foi sofrida ao ouvir que perdera o seu protetor que ela chamava de “grandão”.

– Rodney se… foi… – balbuciou e voltou a olhar para Gianni.

Gianni ficou confuso diante de tantos implorando para ela não fazer aquilo, porém somente o irritara mais, afinal ela tomara-lhe a vida humana, nada mais justo que devolvê-la. No entanto, sentia um aperto no peito com aquela possibilidade.

“O que está acontecendo comigo? Estou abalando-me com isso e quando a vejo ferida só falto surtar. O desejo de destruir quem a feriu fica quase como um canto em minha mente. O que realmente está acontecendo comigo?”

Gianni voltou-se para ela e parou de frente, tendo Michael, Rice e Vincenzo como uma barreira impedindo-o de se aproximar mais. Willian caminhou até Gianni e tocou em seu ombro, inclinando cabeça para começar a falar e esclarecer os questionamentos nos olhos do ex-padre.

Lya arfou e sua mão tocou a testa, estava nervosa.

– Lya, escute seu pai, não adianta tentar resolver algo que ao meu ver não tem solução, essa possibilidade está fora de questão, não irei permitir que faça isso. – Vincenzo afagava o rosto dela enquanto fitava Gianni com olhar reprovador. – Procuraremos outra solução.

– O que vocês estão dizendo? – Gianni falou irritado. – Se ela pode fazer, então, deve devolver-me a vida que roubou.

Lya desvencilhou-se dos braços de Vincenzo e passou pelos seus servos olhando Gianni.

– Está certo, vou lhe devolver a vida humana se tanto a deseja, pode ser feito. – Ela estendeu a mão e esperou que ele a segurasse para acompanhá-la. – Vamos para o quarto?

– Não… Não pode… não, não, não.. – Rice entrou em desesperou e numa atitude ousada agarrou a puro pela cintura caindo de joelhos aos seus pés. – Por Favor, Lya não faça isso…

Gianni olhou a jovem humana e ficou ainda mais intrigado, virou seu rosto para Lya questionando aquela postura de todos.

– Gianni. – Willian voltou a tocar o ombro dele e fez um gesto com a cabeça para ele ir consigo a um canto da sala. – Eu vou falar com ele, por favor, todos se acalmem, vamos resolver tudo.

Assim que se afastaram ambos ficaram em um canto da sala sob os olhares atentos dos demais e principalmente da puro. Gianni virou o olhar a ela, estava chateado com seu silêncio, com a forma que ela lhe escondia os fatos e bufou virando o rosto para dar atenção a Willian.

– Escute, Gianni, tem certeza disso? – Ele fitou sério. – Quer mesmo que ela faça a sua transformação em humano?

– Que pergunta mais idiota, claro. – Ele falou entre os dentes, baixo e irritado.

Willian inspirou baixo e voltou o olhar a Lya.

– Eu acredito que deseje isso, afinal era padre, tinha suas crenças e “virtudes”… Mas, se deseja tanto isso, espero que suporte a consequencia.

– Consequencia?! – Repetiu com ar sarcástico levantando as sobrancelhas. – Quem sofreria as consequencias é ela.

Willian franziu a testa e estranhou a postura dele.

“Ele ficou desesperado com a possibilidade de perdê-la e agora está agindo como quem nem ligasse que ela fosse sacrificar a existência para lhe trazer a vida humana… A não ser que…”

– Gianni, você conhece o ritual que o vampiro faz para transformar um vampiro em humano?

Gianni olhou-o um tanto confuso e balançou a cabeça lentamente negando.

– Ela sacrifica o sangue ao lhe transformar, ou seja, ela desaparece, morre…

Gianni abriu os olhos surpreso com aquelas palavras e virou o rosto para ela, boquiaberto.

Não entendo, ela não ousaria se matar para me trazer a forma humana… Ou ousaria?”

Virou o rosto a Willian e inspirou baixo tentando entender tudo aquilo.

– Obrigado pela informação. – Curvou um pouco a cabeça e voltou ao meio da sala parando diante dela novamente. – Vamos.

Lya concordou e olhou Vincenzo fazendo um gesto para ele afastar Rice. Vincenzo se aproximou deles e pegou a garota pelo braço e com cuidado afastou dela.

– Eu não concordo com isso. – Falou irritado.

– Eu preciso redimir o que fiz a ele, só há essa maneira. – A voz da puro soou para todos eles como voz de comando.

Todos, apesar de transparecerem o desespero em suas faces, curvaram a cabeça e não ousaram falar mais nada.

Willian ficou ao lado de Greg, que olhava a cena bastante pensativo.

– Ei?! Cara, Will, eu entendi certo? A puro gata vai morrer para fazer Gianni voltar a ser humano de novo? – Inclinou a cabeça de lado intrigado.

– É … Exatamente… – Willian cruzou os braços sobre o peito e ficou olhando Gianni e Lya entrarem pela porta do quarto e se trancarem dentro dela.

Greg parecia pensativo olhando todos.

Dentro do quarto, Lya subiu na cama e sentou no meio dela. Não olhava para Gianni, estava tensa e inspirou baixo quando ele se aproximou. De pé ao lado da cama, ele fitou-a um tempo.

– Vamos começar? – Ela levantou o olhar e estendeu a mão para ele segurar.

Gianni segurou a mão dela e subiu na cama de joelhos e sentou sobre as pernas de frente para ela. Seu olhar era tão penetrante e sério que Lya chegava a se arrepiar e não conseguia encará-lo por muito tempo, por isso desviava o olhar vez ou outra.

– Eu vou começar a entoar o ritual, possivelmente quando terminar você não se lembre de nada e… – parou de falar engolindo seco. – Esquecerá que vampiros existem, que o que viveu até então. Não sobrará nada em sua mente. – Segurou a mão dele e fechou os olhos começando a entoar as palavras em sua língua natal.

Gianni observava-a analisando cada ato e palavra, foi quando o cheiro do sangue dela tomou conta do quarto e a viu começar a sangrar. Rapidamente soltou a mão dela e deslizou as pernas para fora da cama, saindo de perto.

Lya ficou surpresa. parando de imediato o ritual. Abriu os olhos e fitou-o confusa.

– Gianni?!

– Acredita mesmo que vai escapar assim?

– O que?! – Ela levantou um pouco tonta por conta do início do ritual.

– Acha mesmo que transformando-me em humano e “morrendo” vai pagar pelo que fez?

– Eu não compreendo, não é o que quer? Quer ser humano de novo, não é? – Ela falou com a voz em um tom cansado.

– Claro e você apaga minha mente, esqueço que meu fracasso matou meus dois irmãos e a criatura monstruosa se salva sem pagar pelo que fez?

Lya ficou boquiaberta de tão surpresa com as palavras dele.

– Acredita que estou sacrificando minha existência para não pagar por algo que não fui responsável? – Ela se irritou com aquelas acusações. – Gianni Salvatore, ousa mesmo me acusar dessa forma?

– Acuso sim, porque você mente para mim, esconde fatos que desconheço e perdi vidas por lhe ajudar. – Furioso ele se virou para sair do quarto. – Prefiro ficar longe de você, depois dessa sua demonstração de tamanho egoísmo, quero ficar longe o máximo que puder. – Abriu a porta furioso e voltou a passar por todos indo a porta de saída daquele apartamento.

Willian e Greg olharam-se, havia algo dado errado.

Todos olharam confusos para Lya, que voltou cambaleando e parou perto da porta do quarto segurando no batente.

– Gianni…GIANNI… – Ela estava irritada. – Você não pode falar dessa forma e simplesmente sair.

Buona notte, il mio amore… – Abriu a porta. – Willian… Greg… vamos! – O ex-humano tinha uma presença poderosa e a voz dele ecoou no lugar como comando para os dois vampiros.

– Claro…- Willian mesmo intrigado não ousou desobedecer e seguiu o amigo.

– Agora mesmo, esperem por mim… – Greg deu um salto do sofá onde estava sentado e foi logo atrás da dupla. Parou na porta e fez um aceno a todos. – Valeu galera…

Lya fechou o punho dando uma batida forte no batente da porta quando os viu sair deixando o apartamento. Vincenzo foi até ela para ampará-la e levar de volta ao quarto. Michael ficou olhando Lya ser aparada pelo “pai” humano enquanto engolia seco a sua raiva pela forma que o ex-humano falara com sua senhora.

– Esse padreco desgraçado, trata nossa Lya como se fosse nada… – Rice resmungava indo até a porta do apartamento e fechando-a com força. – Maldito! Tem que desaparecer da vida dela! – Virou o rosto na ânsia de buscar um aliado em Mic e se deparou com a sala vazia. – Sumiu…

Rice virou o rosto para fitar a porta do quarto de Lya e inspirou profundamente soltando o ar devagar para tentar acalmar sua ira. Odiava a cada dia mais o ex-humano. Ela que deveria ter ganho o beijo da noite eterna, aquele que a transformaria em uma igual a sua senhora.

– Desgraçado, vou fazer você se arrepender de ter tratado Lya dessa forma.

Assim, a jovem humana jurou para si mesma que transformaria a vida do ex-padre em um verdadeiro inferno.

Lya andou pelo quarto enquanto tinha na mão o corvo grasnando, apoiado ele bateu as asas e saiu voando pela janela aberta noite a fora.

Descubra onde ele se esconde, dessa vez quem vai atrás sou eu…

A puro estava decidida a por um ponto final. Irritada e claramente magoada queria dizer umas verdades a Gianni.

Ele não percebeu que iria me sacrificar? Que estava abrindo mão de minha existência para lhe devolver a vida humana? O que mais preciso provar a ele?

Bateu no beiral da janela com o punho cerrado com tanta força que fez a madeira rachar.

Vincenzo observava o estado dela e inspirou baixo aproximando-se com cautela, porém falando em um tom sério.

– Está mais do que claro que esse ex-humano pouco se importa contigo, Lya. – Ele tinha o semblante deveras aflito por conta da insistência da vampira em ir atrás daquele transformado. – Deveria esquecer de vez o Salvatore e focar mais em evitar ser descoberta, o que aconteceu no Central Park foi chamativo demais, usou seus verdadeiros dons e isso criou um alarde que possivelmente não conseguiremos esconder.

Lya olhava pela janela a cidade iluminada, a névoa do ar gélido cobria como um manto fino o local deixando-a ainda mais sombria. A puro mal ouvia seu “pai” humano falar, sua mente perdida em Gianni a deixava surda aos que lhe incomodavam com argumentos contra o ex-humano. Ela tinha noção que ele a culpava, porém acreditara que aquele momento no Central Park havia mudado seus sentimentos por ela e finalmente voltaria para si como sempre fora nos tempos em que ela visitava a igreja. Pelo menos entenderia que o que fez em transformar-lhe foi por medo de perdê-lo.

Vincenzo notou que a puro lhe ignorou totalmente e arfou chateado saindo do quarto, deixando-a perdida nos pensamentos.

Algum tempo depois Mic voltou voando e entrando pela janela, pousou na mão da puro e lhe transmitiu as visões do local no qual Gianni havia se refugiado. Satisfeita, afagou o corvo e soltou saindo quase que em disparada para o banheiro, iria se preparar para ir atrás dele. Momentos depois de arrumada a puro saiu sem nem sequer dá a mínima satisfação e pouco depois estava na calçada de frente ao prédio onde Vincenzo tinha uma cobertura. Pegou o carro que o manobrista trouxera e saiu em disparada após sentar no banco e ligar o mesmo.

Gianni estava tenso, as sombras oscilavam ao seu redor. Apesar de ter dito aquelas palavras, seu peito apertava e a garganta ardia. Estava sedento, havia alimentado a vampira, porém ele mesmo não tomara sangue e com aquilo seu estado de autocontrole começava a falhar, andou pelo apartamento de Willian enquanto era observado por Greg.

– Ei, Gianni, vai abrir um buraco no assoalho cara… – Greg sentado no sofá tomava uma cerveja em lata que havia pego antes na geladeira.

Willian saíra para conseguir sangue, preferira ir sozinho já que Gianni poderia se descontrolar quando lhe trouxessem a frasqueira com as bolsas de sangue.

Naquele momento a campainha tocou. Greg deu um pulo do sofá e rapidamente chegou à porta de entrada.

– Gianni, melhor ir pro quarto, seus olhos estão vermelhos e você parece um bicho acuado, se for algum visinho podem estranhar… – Greg parecia cauteloso com o ex-humano, não sabia muito bem por qual motivo estava sendo assim, geralmente ele não ligava para o que os humanos pensassem se vissem algo que fosse denunciar sua condição de ser da noite, mas com Gianni ele sempre se preocupava por aquele motivo, conseguiu concluir, que era que gostava muito dele e tinha uma forte vontade de proteger o vampiro.

Gianni olhou, franziu a testa e caminhou olhando para a porta desconfiado seguindo o corredor até o quarto que usava, cedido pela dupla de vampiros. Entrou e parou no meio dele lembrando da cena da vampira se sacrificando para lhe tornar humano. Sentiu uma angustia muito grande ao ponto de sentar por perder o equilíbrio momentaneamente. Sentado na beira da cama, levou as duas mãos no rosto cobrindo parte dele enquanto sugava o ar a fim de se acalmar.

Exagerei? Será que … Dio mio, eu fiquei tão feliz em vê-la bem e logo em seguida depois de tudo a raiva veio de tal forma…

– Sacrifício… – Murmurou baixo enquanto sua mente ficava atordoada entre a sede e aqueles sentimentos de frustração e culpa por ter exagerado.

A porta se abriu sem que ele desse permissão e de pé a silhueta da vampira ofuscava aquela escuridão que ele encontrava no quarto. Os olhos esverdeados fitavam com raiva e decepção, fazendo o outro estremecer. Ela entrou e a porta fechou-se atrás de si.

Gianni podia sentir toda aquela ira e levantou da cama assim que ela entrou e se aproximou dele. Trocavam olhares e um silêncio mortal tomou conta de ambos. Era um duelo? Sim, um duelo de quem iria falar primeiro, de quem iria descarregar todas as frustrações e decepções um no outro.

O ex-humano não tardou muito e ia abrir a boca para falar algo quando ela começou a falar sem parar em siciliano. Ele se calou e olhava-a andar de um lado para o outro a sua frente gesticulando furiosa.

– Quem pensa que és? Fiz algo de tamanho sacrifício e pouco liga para o que estava prestes a fazer por ti. – Falou chateada. – Eu estava disposta sem armações ou sequer manipulação para lhe devolver ao mundo humano e vem com essa atitude desnecessária e sem sentido. – Ela arfava entre uma frase ou outra. – O que acha que eu faria? O transformaria em humano e desapareceria do mundo porque eu quero ou porque estou fugindo de algo? – Parou ao notar que o outro não respondia e ficava a seguindo com olhos vermelhos, mas não havia raiva nele era apenas olhar de quem se arrependia do que dissera.

Gianni seguia-a com os olhos vermelhos pelo quarto e sedento tentou ao máximo controlar-se, fitava com certo ar de desculpa, apesar de tudo, apesar de todas as frustrações e dele ter perdido amigos e até sua condição humana, sentia-se tremendamente arrependido de ter gritado com ela naquela noite acusando-a de motivos que não justificavam a descrença dele ao ver a puro se sacrificando para lhe tornar humano.

Lya, calada, olhava-o irritada.

– O que vai fazer? Vai me acusar de tudo que é ruim e não se importar com o que eu sinto? – Chegou perto, mas tão perto que ela podia sentir o rosto quase roçar o dele.

Ele a olhava sério e seus olhos cintilavam mais vermelhos do que nunca, a sede apertou e titubeou ao tentar se afastar.

– Exagerei, confesso… Mas foi graças a você não ter falado o que eu desejava saber. – Ele justificou seu exagero colocando a culpa nela, ainda assim sentiu que era errado fazer aquilo, mas se irritou devido a sede e falou em italiano. – Cala-se sempre que pergunto, diga-me, por qual motivo mente para mim? – Segurou o braço dela com força e a puxou para junto dele. – Diga-me, por qual motivo foi à igreja? A VERDADE… só a verdade…- balbuciou soltando o braço dela, virando o rosto nítido que estava ficando cansado de tudo aquilo.

Ela rolou os olhos chateada, mesmo ainda segurada por ele sentiu algo forte lhe tocar o peito. Como ela queria ser dele, tocar seu rosto e acariciar seu corpo. Observou a forma como ele respondia e cada palavra vinha carregada de desgosto.

– Eu… Eu não posso… – O que poderia dizer? Ela realmente não podia dizer nada, era para a sua própria segurança, mantê-lo longe tudo, daquele mundo ao qual ela pertencia e que por medo de perdê-lo acabou jogando-o nele. No entanto, prometera a si mesma que não deixaria ele ser corrompido por tudo aquilo e o manteria seguro dos monstros que a perseguiam para que não descobrissem a sua existência. Ninguém poderia saber que Gianni era seu elo de sangue.

– Desculpe-me se desonrei o seu sacrifício…- falou sentando de novo na cama, não olhava mais para ela e sua mão tocou a garganta que estava cada vez mais seca pela sede de sangue. – Vá embora…

Ela hesitou, não queria ir embora e seu rosto suavizou fazendo-a se desarmar de sua ira e frustração. Sentou ao lado dele e ficou em silêncio antes de encostar a cabeça em seu ombro e ofegar baixo demonstrando sua tristeza.

– Gianni…

Ele estava controlando-se o máximo que podia e sentir o contato dela em si e sua voz suave o fez estremecer ao ponto de soltar um gemido sofrido de quem não aguentava mais resistir. E não resistiu de fato, o vampiro que esforçava-se para ainda manter um pouco de sua humanidade. Virou-se para ela, abraçou-a empurrando para deitar na cama e procurou desesperado pelo pescoço dela, não lhe dando tempo de falar ou se esquivar, mordeu a pele e sugou seu sangue. A puro murmurou baixo o quanto queria aquele contato e se entregou à mordida de seu amado.

Enquanto ele sugava-lhe o sangue, ela afagava seu corpo deslizando as mãos pelos braços e subindo até os ombros por cima da blusa que vestia, gemeu baixo quando sentiu o abraço dele mais firme. Gianni ouviu o gemido dela e excitou-se, tomar o sangue daquela criatura o deixava além de saciado, completamente louco, desejando-a. Afastou os lábios da pele alva e lambeu a ferida feita por suas presas cicatrizando o local, ao invés de parar continuou a passar a língua desejosa enquanto começava afagar seu corpo.

Lya estava excitada e a cada toque seu corpo queria ser dele, mas ainda sentia a raiva por ter sido tão afrontada anteriormente. Permitiu que ele tomasse dela e quando começou a tocar lutou contra a vontade de se entregar e o empurrou fazendo encará-la.

– Eu sei que sofre enfrentando tudo sozinho, não precisa ser assim, eu posso mudá-lo, realmente não pensei muito, agi por impulso. – Ela falava sussurrando suave. – Eu não quero desaparecer desse mundo, mas se for para lhe proteger e tirá-lo desse sofrimento eu faria, porque é o meu bem mais precioso.

Gianni encarava aquele olhar, preso, e ao ouvir as palavras dela estremeceu e a angustia só aumentou. Fora de certa forma cruel nas palavras anteriormente, agiu sob o domínio da raiva e ali com ela nos braços ouvindo-a e tendo tão perto sabia que ela faria aquilo sem interesse, aliás, somente um interesse, ver ele longe de tudo que estava sofrendo.

Instintivamente ele voltou a tocar o rosto dela com os lábios, deslizou pela face branca até os lábios da sua amada, tocou primeiro com um beijo suave e depois intensificou o contato. Lya o envolveu com os braços e retribuiu aqueles beijos seguindo o ritmo que Gianni estava levando, até que ele falou entre lábios.

– Eu sinto muitas sensações que não entendo e uma dessas é a raiva que vem toda vez que lembro de tudo que perdi por você. – Afastou um pouco os lábios. – Eu não quero perdê-la, porém meus amigos, a igreja, a fé… Tudo jogado fora e eu me tornei um monstro. – Afundou o rosto no ombro dela e murmurou sentido. – Eu amava o que fazia, ajudar as pessoas com a “palavra” e agora tenho que evitá-las se não posso atacar e matar por conta dessa maldição que me colocou.

Lya ouvia as palavras dele sentindo o peso do sofrimento em cada uma delas, ele sofria muito e aquele sofrimento atingia ela como um punhal no peito rasgando-a a cada vez que olhava a dor nos olhos dele. A puro afagou os cabelos escuros dele ainda mais angustiada com tudo que estava sentindo. Não queria perdê-lo e não queria ver mais aquela dor.

– Eu sinto tanto por tudo, não quero vê-lo mais assim, prometo que lhe devolverei sua vida humana como era… – Encostou a cabeça na dele fechando os olhos.

Ambos ficaram deitados um nos braços do outro por um tempo, aquele silêncio não incomodava, tinham a sensação que bastava aquele contato para ambos sentirem-se calmos e bem.

Gianni foi o primeiro a se manifestar, levantou o rosto passou a mão na face e inspirou fundo sentando na cama. Lya levantou, sentou ao seu lado e voltou a face para ele buscando algum sinal que ele se acalmara.

– E como fará? – Ele falou sem olhar para ela. – Como fará sem se sacrificar?

Ela ficou um pouco apreensiva, aquele pergunta era complicada de ser respondida com certeza de que conseguiria ajudá-lo.

– Eu ainda não sei, nem todos os sangue puros sabem essa magia que é muito antiga, mas aqueles que sabem não fariam esse sacrifício.

– Não há uma forma que eu volte a ser humano sem seu sacrifício?

– Eu descobrirei, foi por minha culpa, envolvi você na minha existência conturbada. – Murmurou – Eu deveria ter ido embora no dia que falou que iria ser meu servo de sangue.

Gianni virou o rosto para ela recordando daquela noite, sentiu a vampira estranha, acreditava ser a sede de sangue, mas pelas palavras ditas por ela e a forma como tudo aconteceu começou a se questionar sobre o que realmente motivou a ser o servo de sangue dela.

– Eu o vi tão bem e envolvido naquela igreja. – Lya continuou a falar. – Era como se cada vez mais destoasse daquele lugar, não era meu lugar e… – levantou o rosto fitando-o intensamente. – Não era para envolvê-lo na minha existência. – Inspirou baixo e se encostou nele pousando a cabeça em seu ombro. – Eu iria partir naquela noite de Roma, seguir meu caminho para Paris… Mas…

Ele ouvia-a e surpreso consigo ao perceber que fora ele mesmo que fizera mudar de ideia, não imaginava que devido aquele ato de se oferecer a ela, mudara todo o seu destino. Voltou o rosto para a vampira.

– Eu mudei tudo, fiz você ficar… Dio mio… – Engoliu seco.

– Gianni, fez o que fez achando que era certo, afinal queria-me por perto não é?

Ele concordou, fizera aquela louca proposta não pela segurança dos fiéis e sim porque a queria por perto junto dele…

– Eu havia passado tanto tempo focado nas missões e cumprindo meu papel de padre na Igreja que não notei o quanto sentia falta de uma companhia… – Bufou chateado e baixou o olhar voltando a tocar a face, trêmulo. – Eu estava acostumado com suas visitas e nossas conversas que a possibilidade e não ter mais aquilo me assustava.

O peito da vampira se encheu de esperança ao ouvi-lo falar de quanto tinha medo de vê-la longe dele, ela levantou em um salto rápido e ao mesmo tempo delicado, se abaixou de joelhos na frente dele, ergueu as mãos e tocou a face do ex-humano.

– Gianni, sabia que sentiria, afinal tenho os mesmos sentimentos e ficar longe dói tanto. – Inclinou o rosto delicada e seus cabelos longos e claros escorreram como um véu emoldurando sua face. – Eu ia partir, mas quando se importou comigo, ofereceu-se para ser meu servo de sangue e disse que me via como uma fiel da igreja, tratou-me sem distinção.

Gianni encantava-se com aquele olhar e o contato das mãos dela em sua face lhe cativava ainda mais, fechou os olhos aproveitando aquele momento e suas palavras foram tomando sentido comparando seus sentimentos naquela época. Lya se tornara mais do que imaginara e o medo subiu a espinha ao constatar que não era só a companhia, gostava dela mais do que qualquer um a sua volta, mais que uma membro ou que era merecedora do perdão divino, era mais…

Ele abriu os olhos surpreso ao entender que fizera o que fizera por ela porque já amava-a mesmo naquela época.

– Lya… – Levou as mãos no rosto dela e afagou. – Minha… Lya…

Lya inclinou o rosto instantaneamente para receber aquele afago e a voz dele suave e rouca murmurando seu nome arrepiava-lhe a cada vez que ele citava.

Amore mio… – Gianni a puxou para seus braços outra vez e a beijou intensamente, não hesitou em puxá-la de volta para a cama e rolou o corpo fazendo-a deitar enquanto beijava-lhe com certa ansiedade. – Eu a desejo… – Afastou um pouco os lábios e murmurou quase em um ronronar sedutor.

Gianni havia finalmente entendido o que sentia, apesar de gostar dela, notara que era muito além do que um sentimento aflorado pela sua condição de transformado, porque já sentia antes por ela o amor que somente fora liberado com sua transformação.

– Gianni… – Ela chamava seu nome retribuindo intensamente os beijos e carícias. – Meu Gianni… – Sorriu e o envolveu nos braços passando pelos ombros e puxando a camisa que ele vestia.

Os dois trocavam cada vez mais carícias ousadas e começaram a se despirem, tirando ansiosos as vestes um do outro enquanto trocavam beijos ardentes e mais ousados chegando até a morderem-se devido as presas. Sentiam a mistura de desejo e o sabor do sangue de ambos em seus lábios e agora nus roçavam o corpo um no outro, afoitos pelo contato.

Lya percorria o corpo dele com as mãos, passava as unhas pelo caminho notando o arrepio na pele que provocava em seu vampiro. Gianni retribuía todo o contato dela e a cada vez que ela lhe tocava com ousadia o desejo de tomá-la era voraz. Ergueu o corpo e sentou fazendo-a fazer o mesmo, sentando-a em seu colo, encaixando nele. Voltaram a trocar beijos ousados e as mãos percorriam os corpos quase sem controle.

Gianni desceu a mão entre as pernas de sua vampira e seus dedos tocaram entre a carne macia e molhada, primeiro foi um tanto afoito e Lya arqueou o corpo, desculpou-se e fez menção de parar com o contato quando ela segurou seu braço mantendo ali.

– Continue… – falou sensual com os lábios tocando os dele.

Gianni sorriu e voltou a tocá-la, primeiro de forma suave e depois intensificando o toque enquanto eles se beijavam e ouvia os gemidos dela. Lya encaixava-se mais no colo dele afastando as pernas para receber o toque de seus dedos, murmurava palavras sensuais em italiano ao qual ele respondia no mesmo idioma. À medida que ele acariciava sua vulva, Lya estremecia sentindo o prazer do toque, mordia vez ou outra os lábios dele enquanto beijava-o e suas mãos deslizavam pelas costas arranhando com as unhas pelo trajeto que fazia. Ambos gemiam e murmuravam desejosos cada contato.

O vampiro afastou os lábios dos dela e deslizou pela pele do pescoço passando a língua desenhando todo trajeto até os seios, onde parou lambendo o mamilo e depois sugando enquanto a mão livre tocava o outro seio afagando ansioso.

– Ahn… Gianni… Ahn…!- Lya mal conseguia se conter, seus gemidos continuaram mais intensos. – Mais… – Soltou um longo e prazeroso gemido quando ele introduziu o dedo nela. – Ahn…

Gianni estava excitado demais e a ânsia em possuí-la começou a falar mais alto conforme ouvia seus gemidos e pedidos por mais de seu toque, afastou os lábios de seu seio e passou o braço pela cintura dela, deitando de costas, tirou o dedo de dentro dela e segurou com força seu quadril.

Lya fazia exatamente o que ele comandava, acompanhava todo ritmo de seus toques, mexia o quadril para se encaixar nele, ao sentar sobre as pernas dele segurou o seu membro com força e deslizou o corpo até ficar por cima dele. Começou a afagar e mover a mão em movimentos de vai e vem, fazendo vez ou outra uma pressão. Sorriu provocativa ao qual foi retribuída por ele na mesma provocação, Gianni a puxava pelo quadril alisando e apertando suas nádegas, ansioso pelo momento que ela se encaixasse nele.

– Não me tortura… – murmurou ofegante. – Vem logo… Mi amore… Não quero mais esperar… – Dizia com a voz sedenta de desejo, rouca e sensual.

Lya ainda continuava acariciar seu membro e deu um leve sorriso arteiro, não iria fazer o que ele pedia, não por enquanto, queria realmente torturá-lo até não resistir mais e atacá-la.

Os movimentos de sua mão intensificaram, ela beijou seus lábios e desceu beijando e mordiscando a pele do pescoço, ombro, peito e abdômen. Parou e levantou o olhar para ele enquanto a suas carícias passaram a ser feitas com a boca. Sugou a pele e lambeu intercalando com a mão os movimentos de vai e vem no membro de seu amado.

– Lya… ahnn… nãooo… ahnnn… – Gianni ofegava intenso com o contato dela e aquele ato de total luxúria. Gemia cada vez mais conforme ela intensificava os movimentos com a boca em seu membro. Ele estava prestes a perder a sanidade e avançar nela para possuí-la de uma vez quando o inesperado aconteceu.

Lya sugava a cabeça do membro e sabia que o momento certo estava chegando, afastou os lábios e manteve o movimento das mãos e mordeu fincando as presas na virilha dele. Gianni agarrou os cabelos dela e soltou um alto gemido de prazer, urrando e arqueando o corpo na cama onde praticamente se contorcia de tesão. A sensação de ser sugado por ela ao mesmo tempo que chegava ao seu máximo deixava a mente dele atordoada. Ofegava e gemia mais e mais, puxando os cabelos dela, rosnou frustrado quando ela parou de mordê-lo e lambeu a pele cicatrizando a ferida provocada pelas presas.

Lya imediatamente se desvencilhou das mãos dele e montou em seu colo, daquela vez não esperaria tanto para encaixar nele e assim o fez, deslizou o corpo e o sentiu entrar lento e quente ao ponto dela soltar o ar e gemer com aquele contato.

Gianni tinha um brilho intenso nos olhos azuis e a segurou pela cintura, voltou a gemer quando ela encaixou lentamente seu membro dentro dela. Os movimentos rebolados dela em cima dele o deixaram cada vez perdido naquela onda de prazer que parecia não ter fim, o vampiro estava totalmente domado por ela que movia-se sobre ele, mexendo o quadril.

Lya o encarava e sorria gemendo conforme movia seu corpo sobre ele, o vai e vem era cada vez mais intensificado e ambos já estavam perto do seu clímax. Não tardou muito para Gianni erguer o corpo e abraçá-la apertado quando notou que ela estava pronta para gozar. Buscou os lábios dela e voltaram a se beijarem com luxúria enquanto metia nela com mais e mais intensidade até finalmente alcançarem o êxtase juntos e gemeram alto abraçados e ofegantes.

Na sede da Regência, Benjamin acabara de fechar o novo acordo com os lobisomens e Thor aceitara devido a desconfiança do regente sobre sua filha. Preferiu concordar, porém exigiu uma ressalva quando ao livre acesso alguns pontos da cidade para escoar suas mercadorias.

O Regente concordou mediante a uma participação dos lucros naquela empreitada. Thor, apesar de considerar uma afronta do líder dos vampiros em Nova Iorque, firmou o novo tratado e assim ambos conseguiram o que queriam, e o chefe dos lobisomens manteve sua alcatéia longe de confusões na cidade.

Nicolly por fim relatou ao pai tudo o que aconteceu desde a história na delegacia até o desfecho no Central Park. Thor lamentou as mortes de alguns dos seus irmãos e culpou seu irmão por tudo. Nic informou a ele que desconfiava que o tio tivera participação na morte de sua mãe, porém com a morte dele dificilmente saberiam da verdade, já que a sua babá e governanta fora embora da cidade sem deixar rastros.

A menina avisou ao pai que desejava reencontrar Gianni e pediu para ele ser paciente com o vampiro, já que a ajudara a se livrar da cela e consequentemente do tio traidor. Feito aquilo a pequena mestin vampira-lobo sentia-se cada vez mais encantada pelo vampiro caçador e decidira procurá-lo depois que tudo voltasse ao normal na sua casa.

Willian estava na cozinha enchendo alguns frascos térmicos com o sangue que trouxera, havia sido informado por Greg que Lya e Gianni estavam no quarto conversando. Por um tempo ficou preocupado já que do quarto não ouvia-se nada, no entanto sentia a presença de ambos e não sentia hostilidade, preferiu não interferir e voltou a cuidar de seus afazeres, já que estava prestes a abrir uma galeria de belas artes na cidade que era de sua família.

Greg estava largado no sofá e fitou o irmão quando notaram o silêncio vindo do quarto de Gianni, provocativo ele ronronou baixo falando descaradamente que ambos deveriam estar se “entendendo”. Willian puxou-o pelo braço e o arrastou para saírem e deixarem um tempo para o casal ficar mais a vontade.

Algumas horas depois…

Gianni estava na cozinha procurando algo para comer, estava enrolado em um lençol pela cintura quando ouviu-a chamando.

– Gianni…? – Lya apareceu na sala vestida com a blusa dele e caminhou suavemente até a cozinha. – Estou com fome.

– Ambos… – Deu um sorriso breve enquanto ele catava ingredientes para preparar algo para comerem. – Ravióli ? – Mostrou a ela já ligando o fogo do fogão e colocando a panela com água para ferver.

– Hummm… Ravióli, excelente… – Aproximou do fogão e estendeu a mão para ele lhe entregar os ingredientes. – Faço o molho.

– Ótimo. – Entregou a ela alguns deles e foi até a dispensa procurar outros quando encontrou a frasqueira térmica com a palavra “estoque”, ao abrir seus olhos ficaram vermelhos de imediato, eram algumas bolsas de sangue que em contato com o ar exalaram o seu aroma ferroso por toda cozinha. Lya sentiu o cheiro de imediato e seguiu parando atrás dele e olhando por cima do ombro do seu amado.

– Ahhh, quero… – Murmurou desejosa por um pouco.

Gianni pegou duas e fechou voltando para a sala em busca de taças com a vampira na sua cola saltitante tentando pegar aquela bolsa de sangue.

– Quer mesmo? – Ele parecia se divertir com a expressão pedinte dela e desviava o corpo fugindo da vampira. – Pega?

– Ah?! Para com isso… – Ela sorria quanto foi para cima dele montando em suas costas tentando pegar a bolsa de sangue.

Ambos riam naquela brincadeira quase infantil de pega-pega quando a porta do apartamento se abriu e Willian e Greg apareceram e fitaram a cena, um tanto incrédulos e surpresos com a cena: Gianni com Lya nas costas rindo e seminus. Greg olhou de lado e foi o primeiro a fazer um olhar de quem entendera tudo.

– Ah… Finalmente… O que uma foda bem dada não faz, hein? – Alfinetou ambos os vampiros.

Gianni pigarreou e Lya saiu de cima de suas costas, apesar de ambos estarem sem graça por serem flagrados se olharam e depois olharam sérios para Greg. Willian puxou o irmão pelo braço e o arrastou empurrando para se sentar.

– Fica calado, você só fala merda. – Virou para Gianni e deu de ombros. – Bom, desculpe, mas já está perto de amanhecer não deu para esperar mais.

Greg se jogou no sofá e deu de ombros rindo deles.

– Qual é…?!

– Desculpas quem pede sou eu, estamos na sua residência, tomamos o lugar… – Lya tinha a voz delicada e com ar brincalhão.

Willian quase ficou preso naquela voz e piscou algumas vezes, era a interferência de uma sangue puro, afinal mesmo ela não desejando aquilo, o poder e presença dela praticamente encantavam qualquer um.

– Não se preocupem tanto, o importante é que ambos estão bem e se entenderam. – Sorriu e farejou o ar. – Estão cozinhando?

Enquanto eles falavam Gianni abrira uma das bolsas de sangue, servira em uma taça e passara perto do rosto dela para atrair sua atenção. De imediato a vampira cintilou os olhos verdes, seguiu a taça quase hipnotizada pelo líquido rubro que continha nela e pegou sorridente como quem tomasse uma taça de vinho apreciando cada gole. Gianni olhou Willian, que seguiu a pequena vampira puro que parecia criança tomando daquele sangue.

– Eu estou cozinhando ravióli.

– Opa! – Greg virou-se no sofá apoiando o corpo no encosto. – Eu quero!

Gianni olhou-se e depois de tomar a sua taça de sangue levou à cozinha.

– Lya, vamos ficar mais apresentáveis… – Fez um gesto para ambos que estavam seminus.

– Claro. – Ela andou até ele passando por Willian e depois ao lado do sofá por Greg que olhava-a com a cabeça inclinada.

Gianni passou por ele e deu um tapa na nuca do vampiro tatuado, olhando-o torto.

– Ai!… O quê?! Não vou olhar! – Esperou o vampiro virar e seguir para o quarto atrás dela e inclinou a cabeça mais um pouco. – Olhar não arranca pedaço… – Sorriu sacana.

– Vou continuar a preparação do ravióli. – Willian deu outro tapa na cabeça de Greg e foi à cozinha continuar a preparar a comida.

Minutos depois, Gianni e Lya aparecem na sala vestidos e Gianni foi à cozinha para ajudar a terminar a refeição. Lya andou até a lateral do sofá e olhou atenta para o vampiro tatuado. Ele olhou para ela e depois para si mesmo, desconfiado.

– O que foi?

– Obrigada por me proteger no Central Park, seu dom nos ajudou bastante. – Sorriu suave e chegou mais perto inclinando o corpo. – Em retribuição vou te livrar da garotinha com o ursinho de pelúcia. – Piscou para ele e deu um leve sorriso, voltando à posição anterior e indo até Gianni e Willian que já arrumavam a mesa para o jantar.

Greg abriu os olhos surpreso e depois deu um pulo do sofá satisfeito já que alguém além dele via a criatura que sempre o assustava.

– Viu, sua peste, vou me livrar de você! – Gargalhou um tanto exagerado e foi se juntar a eles na mesa. – Srta Lya, sente-se aqui… – Greg puxou a cadeira para ela sentar. – Já disse e repito, vou segui-la até no inferno, minha senhora. – Curvou com a mão em punho cerrado sobre o peito no lado esquerdo.

Lya ficou sem jeito, deu de ombros pegando o guardanapo e puxou a cadeira ao seu lado para Gianni se sentar com ela. Comeram, sorriram e falaram como velhos amigos naquele fim de noite, não tocaram em assuntos sérios e pendentes para todos, somente falaram de trivialidades e riam das loucuras que o vampiro tatuado tagarelava sem parar.

Faltava pouco mais de uma hora para amanhecer, Greg fora o primeiro a apagar largado no sofá e Lya foi a segunda a adormecer com o corpo deitado no sofá e a cabeça no colo de Gianni. Ele afagava seus cabelos claros suavemente enquanto tomava mais um pouco de vinho. Willian estava em uma poltrona de frente e tomava vinho enquanto olhava ambos.

– Resolveu de vez essa pendência, ao meu ver, caro amigo… – Tocou no assunto.

– Ao que parece sim, no entanto ainda temos uns pingos nos “is” para acertar. – Tomou outro gole do vinho.

– Entendo, dê tempo ao tempo, é melhor … – Tirou da mesinha do lado do sofá uma caixa de charutos e acendeu um, oferecendo outro para Gianni.

– Não, obrigado.

– Ela estava feliz, aliás, ambos… – Tragou e soltou no ar a fumaça. – Falando em pendências, tenho umas novidades para você.

Gianni tomava mais um gole quando ele falou e parou olhando-o intrigado.

– Aquela história de forjarem sua morte, pedi a um conhecido que tem um vasto conhecimento na cidade para descobrir algo e ele descobriu.

Gianni pousou a taça de vinho no braço do sofá que tinha um aparador e esperou.

– O que esse seu amigo descobriu?

– Você me disse que sua família humana era de caçadores, certo? Caçadores ligados à Sociedade Hunter.

Gianni concordava com a cabeça tentando entender aonde ele queria chegar.

– Então, presumo eu que você desconheça que parte de sua família não era de caçadores. Gianni, os Salvatores na verdade eram vampiros e somente seu pai era humano, quando se casou com sua mãe ele partiu deixando esse clã para trás e se tornou caçador.

– O QUÊ?! – Gianni ficou surpreso que agitou-se ao ponto de Lya resmungar em seu colo, Ele tocou os cabelos dela fazendo um gesto de silêncio para Willian. Notando que ela voltara a dormir voltou a face para Willian indagando aquele absurdo e respondeu em um tom de voz baixo. – Não há como… – Pestanejou um pouco tentando entender. – Meu pai humano e vivendo com vampiros?

– Gianni. – Willian falava baixo. – Os Salvatores eram os senhores do território de Roma, comandavam aquele lugar, eram como o Regente aqui de Nova Iorque, porém isso mudou tem alguns anos, atualmente quem manda na região é Bragatti, uma sangue puro bastante poderosa e que, segundo soube, tem um trato com o Vaticano.

A cada palavra de Willian sobre aquelas informações mais e mais confuso e boquiaberto Gianni ficava.

– O que aconteceu com esses vampiros?

– Segundo o relatório que meu amigo trouxe e, claro, vou lhe entregar, foram todos mortos. – Tragou novamente do charuto e tomou outro gole do vinho. – Bragatti é a nova regente de Roma, alguns cogitam que ela tenha feito isso, mas como não há sobreviventes ficou o dito pelo não dito e o assunto morreu na sede da monarquia, caso arquivado.

Gianni pegou a taça, tomou o vestígio de vinho que ainda continha nela pensando em tudo e olhou-o novamente questionando.

– E se a família a qual meu pai pertencia eram de vampiros, agora o que tem isso haver com o fato de forjarem minha morte?

– Olha eu não sei, sinceramente não sei, porém temos algumas pistas. A primeira delas são todos os dados de registros sobre você. – Willian fez um gesto para ele esperar e foi até a estante, abriu uma das gavetas e pegou a pasta com o relatório. – Pegue, está tudo aí, tudo que esse meu amigo conseguiu investigar dentro do possível, já que ele teve que obter algumas informações de Roma.

– Obrigado. – Gianni pegou a pasta e pousou no braço do sofá. – E qual seria a sua teoria?

– Não digo que seria uma teoria, mas seu pai era mesmo seu pai de sangue ou biológico como dizem os humanos?

– Claro …

– Bom, então melhor você descobrir o que está acontecendo, porque aqui… – Willian folheou algumas folhas do relatório e parou em um exame médico. – Leia o nome de quem é o exame e o resultado.

Gianni leu e seu assombro foi ainda pior ao ver que o exame era de seu pai e que o resultado era contagem de esperma.

– Estéril… – balbuciou aquela palavra totalmente estarrecido. – Eles nunca deixaram a entender isso, nunca falaram nada… Então, pelo ano desse documento, eu não posso ser o filho dele.

– Ao que parece… Acredito que isso possa ter ligação, mas essa parte somente você pode descobrir. – Willian tomou o último gole do vinho e pegou ambas as taças vazias. – Bom, já praticamente amanheceu, vou me recolher, sugiro que faça o mesmo. Nesse momento não poderá resolver nada. – Tocou o ombro dele solidário aquela situação e afastou. – Bom dia.

– Realmente. – Gianni olhava aqueles relatórios e inspirou baixo, olhou para Lya e acariciou seus cabelos. – Bom dia… – Falou a Willian que sacudia Greg fazendo-o levantar.

– Para o quarto… – Levou o irmão arrastado e sonolento para o quarto dele deixando lá e indo finalmente para o seu quarto.

Gianni ajeitou-se para levantar apoiando a cabeça de Lya no sofá e assim que guardou aquela pasta voltou e a pegou no colo levando para o seu quarto. Ao entrar, ajeitou-a na cama e trocou a roupa deitando ao seu lado. Sua mente ainda estava trabalhando naquelas informações e levou um tempo até adormecer.

Lya virou para ele, abriu os olhos notando que havia adormecido e inspirou baixo, ela sabia de mais informações trazidas por Solomon. Aquela situação estava ficando cada vez mais enigmática e algo lhe cutucava a mente que a Regente de Roma tinha algo haver com essa história toda.

A vampira abraçou o seu amado e fechou os olhos, sentindo o aroma de sua pele ao qual tanto lhe acalmava. Não adiantava falar algo naquele momento, na noite seguinte ela falaria com Gianni. Pouco depois a puro adormeceu nos braços de seu vampiro.

Continua…

Música Tema : Lana Del Rey - Freak

Isa Miranda

Amo escrever, por isso sou aquilo que escrevo, são as palavras que me dão poder e nelas me torno única. 

 

  • Andrea Bertoldo

    Muito bom! Adorei o capítulo,Isa! E rindo até agora com o Greg.kkkkkkk

    • Isa Miranda

      Greg meu pet doidinho e sem papas na língua <3
      Obrigado Dea pelo carinho em acompanhar =3